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POLÍTICO DE PROFISSÃO Ex-governadores ‘descem de patamar’ e entram na briga por vagas de deputado em Santa Catarina

Reprodução/redesocial

Disputa de 2026 promete embate feroz entre antigos chefes do Executivo catarinense

A eleição de 2026 em Santa Catarina já começa a ganhar contornos de uma das mais imprevisíveis e explosivas da história recente da política catarinense.

Nos bastidores, lideranças tradicionais que já ocuparam o cargo máximo do Estado agora articulam uma nova estratégia para sobreviver politicamente: disputar vagas de deputado federal.

O movimento é visto por analistas e aliados como uma mudança drástica no jogo do poder em Santa Catarina. Ex-governadores que antes protagonizavam disputas ao Governo do Estado ou ao Senado agora entram em uma corrida voto a voto por espaço na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Entre os nomes mais comentados estão Carlos Moisés, Daniela Reinehr e Raimundo Colombo.

A movimentação já virou assunto quente nos bastidores políticos e levanta uma pergunta inevitável: trata-se de força política ou sinal de decadência de quem já comandou Santa Catarina?

Carlos Moisés tenta voltar ao cenário político

Depois de governar Santa Catarina em um dos períodos mais turbulentos da política estadual, Carlos Moisés tenta reconstruir sua trajetória eleitoral.

O ex-governador, que enfrentou processos de impeachment, crises institucionais e desgaste político durante seu mandato, agora mira uma vaga na Câmara Federal pelo União Brasil.

A estratégia surge após o fracasso de sua tentativa de reeleição ao governo em 2022, quando acabou derrotado ainda no primeiro turno e viu sua base política praticamente desaparecer.

Nos bastidores, aliados avaliam que uma eleição para deputado federal pode funcionar como uma porta de retorno gradual ao cenário político catarinense.

Mesmo assim, interlocutores admitem reservadamente que a disputa será extremamente difícil diante do ambiente polarizado e da alta rejeição deixada após seu governo.

Ainda assim, Moisés aposta no reconhecimento de nome e na experiência administrativa para tentar conquistar espaço entre os eleitores catarinenses.

Daniela Reinehr mantém força no eleitorado conservador

Outro nome que já aparece em destaque na corrida eleitoral é o de Daniela Reinehr. Ex-vice-governadora de Santa Catarina, ela assumiu o comando do Estado durante os afastamentos de Carlos Moisés e consolidou forte identificação com setores conservadores e bolsonaristas.

Atualmente deputada federal, Daniela deve disputar a reeleição em 2026 apostando justamente nesse eleitorado ideológico que segue extremamente ativo em Santa Catarina.

Nos bastidores, lideranças da direita catarinense avaliam que Daniela mantém uma base fiel e possui potencial para ampliar sua votação, especialmente em regiões do interior do Estado onde o conservadorismo político segue dominante.

A parlamentar também deve explorar pautas ligadas à defesa do agronegócio, valores conservadores e críticas ao governo federal, temas que costumam gerar forte mobilização nas redes sociais e entre apoiadores mais engajados.

Raimundo Colombo busca evitar apagão político

Já Raimundo Colombo aparece como um dos casos mais emblemáticos dessa nova realidade eleitoral catarinense. Ex-governador por dois mandatos consecutivos, Colombo foi durante anos uma das figuras mais influentes da política estadual.

No entanto, após derrotas nas disputas ao Senado em 2018 e novamente em 2022, o ex-governador viu sua presença política diminuir consideravelmente.

Agora, a possibilidade de disputar uma cadeira de deputado federal é tratada por aliados como uma tentativa de evitar um afastamento definitivo do centro do poder político catarinense.

Nos bastidores, há quem avalie que Colombo ainda possui forte influência em determinadas regiões do Estado e mantém bom trânsito entre prefeitos e lideranças municipais. Porém, interlocutores admitem que o cenário mudou drasticamente nos últimos anos e que o eleitor catarinense passou a exigir novos perfis políticos.

Mesmo assim, Colombo segue sendo considerado um nome competitivo pelo histórico administrativo e pela experiência acumulada ao longo de décadas na vida pública.

Cenário político vira disputa de sobrevivência

A presença de ex-governadores na disputa por vagas na Câmara dos Deputados revela uma transformação profunda no cenário político catarinense.

Se antes as grandes lideranças buscavam exclusivamente o Governo do Estado ou o Senado Federal, agora o foco parece ser a manutenção da relevância política em um ambiente cada vez mais radicalizado e competitivo.

Analistas políticos apontam que a fragmentação partidária, o crescimento das redes sociais e a forte polarização ideológica mudaram completamente a dinâmica eleitoral em Santa Catarina.

Hoje, nomes tradicionais enfrentam dificuldades para manter espaço diante do avanço de novas lideranças, influenciadores políticos e candidatos ligados diretamente a movimentos ideológicos mais organizados.

Ao mesmo tempo, o peso do passado político passou a ser tanto uma vantagem quanto um problema. Enquanto alguns eleitores valorizam experiência e trajetória administrativa, outros enxergam antigos governadores como símbolos de uma velha política desgastada.

Eleição de 2026 promete tensão máxima

Com a movimentação já em andamento, os bastidores indicam que a eleição de 2026 poderá se transformar em uma verdadeira guerra eleitoral em Santa Catarina.

Além da disputa tradicional entre direita e esquerda, o pleito deve ter confrontos internos dentro dos próprios grupos políticos, especialmente entre conservadores e lideranças que tentam sobreviver após derrotas recentes.

A expectativa é de uma campanha marcada por ataques intensos, forte presença digital, disputas ideológicas e batalhas regionais por votos.

Enquanto isso, o eleitor catarinense acompanha um cenário inédito: ex-governadores que já ocuparam o topo do poder estadual agora lutando diretamente por espaço na Câmara Federal.

A grande dúvida que começa a dominar os bastidores políticos é justamente esta: os antigos líderes ainda possuem força suficiente para voltar ao protagonismo ou a eleição de 2026 marcará o fim definitivo de uma era na política catarinense?