Prefeito Luizinho Américo classificou a ação como desrespeitosa e truculenta por parte dos fiscais do órgão ambiental: “tratados como criminosos”
Um episódio tenso em alto-mar envolvendo um pescador artesanal e fiscais ambientais está gerando repercussão e levantando questionamentos sobre o uso da força durante ações de fiscalização.
O caso aconteceu na última quarta-feira (29), na região de Cananéia, litoral sul de São Paulo, e teve como protagonista o pescador Adaílton Pontes, de 52 anos, natural de Porto Belo, que afirma ter sido alvo de tiros durante uma abordagem.
Segundo o relato do pescador, ele seguia viagem rumo a Santos, onde iniciaria atividades de pesca após o período de defeso, quando foi surpreendido por uma equipe de fiscalização.
O que começou como uma abordagem considerada “tranquila” rapidamente evoluiu para momentos de tensão, medo e desespero em alto-mar.
‘Eu não fiz nada’, diz pescador durante abordagem
Trechos da conversa entre o pescador e os agentes revelam o clima de pressão vivido durante a ocorrência. Em meio à abordagem, Adaílton tenta se defender e pede calma aos fiscais.
“Meu querido, eu não estou fazendo nada”, afirma o pescador em um dos momentos. A resposta, no entanto, vem em tom agressivo: “Eu não sou teu querido porra nenhuma”.
A situação se agrava quando o pescador é orientado a conduzir sua embarcação até a Barra de Cananéia, considerada por ele uma área perigosa para navegação naquele momento. Com receio, Adaílton recusa a ordem.
“Por favor, cara, não faz isso. Eu não consigo”, insiste. A recusa teria sido o ponto de ruptura da abordagem.
Disparos e desespero em alto-mar
De acordo com o pescador, após negar a condução da embarcação até o local indicado, os fiscais teriam efetuado três disparos em direção ao barco.
“Eu vou te dar um tiro agora, mano”, diz uma das vozes registradas na transcrição.
O relato aponta momentos de pânico, com pedidos desesperados: “Por favor, cara, não faz isso, cara. “Meu Deus do céu.”
Além do susto com os disparos, Adaílton afirma que seu barco estava com problemas mecânicos no momento da abordagem, o que dificultava qualquer manobra.
“O motor parou, cara”, justificou durante a ação.
Mesmo assim, segundo ele, a pressão para que seguisse a ordem continuou. “Põe a porra do barco para dentro”, teria dito um dos agentes.
Detenção, multa milionária e revolta
Após o episódio, o pescador foi detido por cerca de 40 minutos. Ele relata que só conseguiu ser liberado após o pagamento de fiança, com ajuda de outros pescadores que estavam na região.
Além da detenção, Adaílton afirma ter recebido multas que, somadas, ultrapassam R$ 1 milhão, valor considerado por ele “impagável” e injusto diante da situação.
“Eu jamais ia fazer isso aí, cara. Jamais”, declarou, negando qualquer irregularidade.
Ele registrou boletim de ocorrência por disparo de arma de fogo e agora busca esclarecimentos e responsabilização pelo ocorrido.
Versão do IBAMA aponta fuga e colisão
Em nota oficial, o IBAMA apresentou uma versão diferente dos fatos. Segundo o órgão, a embarcação “Salmo 23”, conduzida por Adaílton, não teria obedecido à ordem de parada durante fiscalização em período de defeso.
De acordo com o instituto, houve tentativa de fuga e até mesmo colisão com a lancha da equipe, o que teria deixado um agente ferido.
O órgão afirma que a equipe seguiu os protocolos de uso progressivo da força durante a abordagem.
Ainda segundo o IBAMA, o pescador foi autuado por pesca em período proibido e também por obstrução à fiscalização ambiental.
Investigação interna e repercussão
Diante da repercussão do caso, o IBAMA informou que irá apurar internamente a conduta dos agentes envolvidos na operação.
A situação reacende o debate sobre os limites da atuação fiscalizatória, especialmente em contextos de conflito com trabalhadores do mar, como pescadores artesanais.
Para especialistas, casos como esse mostram a necessidade de maior clareza nos protocolos e também de treinamento adequado para evitar escaladas de violência.
Comunidade pesqueira reage
Entre pescadores da região, o caso gerou indignação e preocupação. Muitos relatam medo de situações semelhantes durante abordagens em alto-mar.
A solidariedade a Adaílton também se manifestou rapidamente, principalmente pela ajuda na fiança e pela mobilização para dar visibilidade ao caso.
Para esses trabalhadores, a fiscalização é necessária, mas precisa ocorrer com respeito e segurança para todos os envolvidos.
Contexto do defeso
O período de defeso é uma medida ambiental que proíbe a pesca de determinadas espécies durante sua reprodução, garantindo a preservação dos estoques pesqueiros.
Durante esse período, a fiscalização costuma ser intensificada, o que aumenta o número de abordagens no mar.
No entanto, especialistas apontam que conflitos podem surgir quando há divergências sobre interpretação das regras ou condições de navegação.
Debate sobre uso da força
O episódio também levanta questionamentos sobre o uso de armas de fogo em operações ambientais.
Embora o IBAMA possua autorização para ações fiscalizatórias com poder de polícia administrativa, o uso de força letal é um tema sensível e cercado de normas.
A investigação interna deverá esclarecer se houve excesso ou se os agentes agiram dentro da legalidade.
Caso segue em apuração
Até o momento, o caso segue sendo apurado tanto pelas autoridades quanto pelo próprio IBAMA.
A expectativa é que novas informações, incluindo possíveis imagens ou testemunhos, ajudem a esclarecer o que realmente aconteceu durante a abordagem.
Enquanto isso, o episódio continua repercutindo e gerando debates sobre fiscalização, direitos dos trabalhadores e limites da atuação estatal.
Prefeito sai em defesa de pescador e reage com indignação e cobra respeito aos trabalhadores do mar
Em meio à repercussão do caso envolvendo o pescador artesanal Adaílton Pontes, de 52 anos, que denunciou ter sido alvo de disparos durante uma fiscalização do IBAMA no litoral paulista, o prefeito de Penha, Luizinho Américo, se manifestou publicamente em defesa do trabalhador e criticou duramente a abordagem dos agentes.
A declaração foi feita neste sábado, 1º de maio, data simbólica que marca o Dia do Trabalhador e também o fim do período de defeso do camarão, momento em que muitos pescadores retomam suas atividades no mar.
‘Trabalhadores sendo tratados como criminosos’, diz prefeito
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito demonstrou indignação com a situação e questionou a forma como a fiscalização foi conduzida.
“Olha o que está acontecendo com nossos pescadores. Trabalhadores do mar, homens honestos sendo tratados como criminosos. Mas daí eu pergunto: é assim que se trata um trabalhador com tiro, violência e intimidação?”, afirmou Luizinho Américo.
A fala reforça a versão apresentada pelo pescador, que relatou momentos de tensão, ameaças e disparos durante a abordagem ocorrida na região de Cananéia.
Defesa da pesca artesanal e crítica à ação
O prefeito também destacou a importância da pesca artesanal como atividade econômica e cultural, especialmente para comunidades litorâneas de Santa Catarina e outras regiões do país.
“A pesca não é crime, ela é sustento, é tradição, é cultura e quem está no mar todos os dias sabe o quanto é difícil”, declarou.
Na sequência, ele criticou possíveis excessos por parte das autoridades e cobrou mais respeito com os profissionais do setor.
“O que as pessoas precisam é de respeito e não de abuso. Não podemos aceitar que trabalhadores sejam tratados dessa forma”, completou.
‘Respeito ao pescador é obrigação’, afirma gestor
Luizinho Américo também fez um apelo direto à sociedade, pedindo apoio aos pescadores e reconhecimento da importância da atividade.
“A sociedade precisa defender quem trabalha, quem produz, quem sustenta a sua família com dignidade. Respeito ao pescador não é um favor, é uma obrigação, eu sou da pesca”, finalizou.
A declaração do prefeito amplia o debate em torno do caso, que já envolve versões conflitantes entre o pescador e o IBAMA, e agora ganha também contornos políticos e sociais.
Caso segue repercutindo
A manifestação do gestor municipal fortalece a pressão por esclarecimentos sobre o episódio ocorrido no último dia 29. Enquanto o pescador afirma ter sido alvo de disparos mesmo sem oferecer risco, o IBAMA sustenta que houve tentativa de fuga e resistência à fiscalização.
O caso segue em apuração e continua gerando repercussão entre pescadores, autoridades e a opinião pública.
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