Caso veio à tona na sexta-feira, após a prisão do funcionário público que trabalhava na Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). Polícia Civil disse que crime pode ter movimentado R$ 2 milhões ao mês
A prisão do servidor da prefeitura de Florianópolis que aparece em vídeo do g1, exigindo propina a um empresário para a liberação de obra na cidade mostrou que o suposto esquema ilícito seria liderado dentro de uma sala da administração municipal, e por meio de “três poderes” de cobrança.
O caso veio à tona na sexta-feira (15), após a prisão do funcionário público que trabalhava na Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram). Na terça-feira (19), a Polícia Civil detalhou o esquema e disse que o crime pode ter movimentado R$ 2 milhões ao mês.
Conforme despacho que embasou a prisão de Felipe Pereira, e no qual a NSC teve acesso, um construtor que teria pago propina no esquema relatou à Polícia Civil que foi recebido para a negociação dos valores por três servidores comissionados da Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano (SMDU).
Rodrigo Djarma Assunção, agora ex-secretário-adjunto da secretaria e Fernando Berthier da Silva, que era assessor jurídico da pasta foram exonerados pelo prefeito Topázio Neto (PSD) na sexta-feira (15). Nei João da Silva, que foi diretor de fiscalização da secretaria, mas que em maio deste ano se tornou diretor do Detran, deixou o governo Jorginho Mello (PL) na segunda (18).
Ainda conforme a apuração da Polícia Civil, Silva seria o chefe do suposto esquema e a sala de negociação onde o esquema ocorria era o escritório dele na prefeitura.
Em depoimento, o construtor relatou ainda que foi ao local acompanhado de um sócio, após ter tido um imóvel demolido por não aceitar pagar a propina. Antes de entrar na sala, eles teriam sido obrigados a deixar os celulares na gaveta, no corredor.
O secretário-adjunto seria quem aprovava a demolição de quem não se submetesse ao esquema. Já o assessor jurídico assinava a autorização e, então, o chefe da fiscalização executava as ordens.
Durante o fim de semana, quando o caso veio à tona, prefeitura de Florianópolis afirmou que abriu um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar as condutas de Felipe Pereira e Nei João da Silva. Todos os investigados todos os ouvidos pela reportagem negaram participar do esquema (veja a o que dizem os envolvidos no fim do texto)
No documento, é detalhado ainda que o empresário disse que o pagamento para Pereira teria ocorrido numa segunda fase do esquema, quando o fiscal recolhia o dinheiro. Antes disso, o modus operandi previa que construtores fossem semanalmente à sede da SMDU.
Na sexta-feira (15), quando Pereira foi detido, Nei João da Silva também foi alvo de um mandado de busca e apreensão. Em dezembro de 2022, os dois foram alvos de quebra de sigilo telefônico, assim como Carlos Augusto de Jesus, outro servidor que foi gerente de fiscalização ambiental da Floram.






