Piloto com 15 anos de experiência enfrentou vento contrário e névoa durante retorno à rampa em Penha; especialista orienta como escolher profissionais e equipamentos para voar com segurança
Um voo de parapente realizado em 18 de setembro, na região da Praia Vermelha, em Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, chamou a atenção pelas condições encontradas durante o percurso.
O piloto Anderson Peirão compartilhou um vídeo que mostra o desafio de retornar à rampa de pouso diante do vento contrário e da presença de névoa.
Com 15 anos de experiência no voo livre, Peirão explica que o objetivo era treinar a pilotagem em condições de vento mais fraco. Segundo ele, esse tipo de prática é realizado sem passageiros, como parte da preparação e do aprimoramento das habilidades de voo.
De acordo com o piloto, as condições estavam dentro do previsto e não houve surpresas durante a atividade. O momento que exigiu maior atenção foi a aproximação da névoa, que limitava a possibilidade de ganhar altitude.
“É proibido voar dentro de nuvens (entubado) sem navegação por instrumentos, e então tive que cuidar para não subir mais e perder visibilidade”, relata.
Para evitar riscos, Peirão deixou de permanecer na área de correntes ascendentes, conhecidas como lift, quando estava próximo do limite de altitude e da névoa. Em seguida, iniciou o retorno à rampa, onde as condições de visibilidade eram melhores.
Retorno à rampa exigiu habilidade
Embora o pouso na rampa da Praia Vermelha fosse o objetivo desde o início, a aproximação exigiu cuidado redobrado. O vento contrário dificultava o retorno, enquanto a névoa impedia que o piloto ganhasse mais altitude.
Apesar das dificuldades, havia uma alternativa caso não fosse possível chegar ao ponto planejado: o pouso na praia.
“O retorno para pouso na rampa foi desafiador, pois não pude ganhar mais altitude devido à névoa e o vento estava contrário, mas em todo momento tinha uma outra opção de pouso seguro na praia”, afirma.
O piloto explica que normalmente não costuma gravar suas experiências. Dessa vez, decidiu compartilhar o registro porque conseguiu retornar à rampa mesmo depois de perder bastante altitude. Em outra ocasião, registrada em vídeo anteriormente, ele havia conseguido chegar apenas à praia.
Segundo Peirão, a intenção também foi mostrar como funciona o treinamento de pilotagem em condições de vento mais fraco, quando a atividade é realizada sem passageiros.
Como escolher um piloto de parapente?
Além de compartilhar a experiência, o piloto reforça a importância de pesquisar antes de contratar um voo duplo. A escolha do profissional, a experiência e as condições dos equipamentos são fatores fundamentais para a segurança.
Peirão recomenda consultar as redes sociais da empresa ou do piloto, procurar referências sobre o serviço prestado e verificar há quanto tempo o profissional atua na atividade. Também orienta que o interessado faça contato antecipado e agende o voo, já que a realização depende de condições meteorológicas favoráveis.
Outro cuidado é verificar a habilitação do piloto junto à Confederação Brasileira de Voo Livre (CBVL), observando se a qualificação é compatível com o serviço oferecido, especialmente no caso de voos duplos ou instrução.
A existência de um seguro específico para a atividade também deve ser confirmada antes da contratação.
Equipamentos de segurança são fundamentais
Antes de embarcar em um parapente, o passageiro deve buscar informações sobre os equipamentos utilizados e suas condições de conservação.
Conforme Peirão, os materiais precisam ser adequados para voos duplos, estar em bom estado e passar por revisões periódicas, com laudos emitidos por oficinas certificadoras quando aplicável.
Entre os itens essenciais estão o capacete e o paraquedas de emergência. O piloto também recomenda o uso de rádio comunicador, com frequência adequada à operação local e à comunicação entre os profissionais.
Experiência faz a diferença
Ao longo de 15 anos de atuação, Peirão estima realizar, em média, cerca de 400 voos por ano. A experiência acumulada contribui para a avaliação das condições meteorológicas, a tomada de decisões durante o percurso e a identificação de alternativas de pouso.
A recomendação para quem deseja experimentar o parapente pela primeira vez é não escolher o serviço apenas pelo preço ou pelas imagens publicadas nas redes sociais. Verificar a qualificação do piloto, a estrutura oferecida, os equipamentos e as condições para a realização do voo é essencial.
A experiência na Praia Vermelha evidencia que, mesmo quando as condições estão dentro do planejamento, mudanças na visibilidade e no vento exigem atenção constante e decisões responsáveis durante o voo.






