Vereador acusa empresa de negligência; GOR reage, aponta desinformação, contrato estourado e cobra responsabilidade da Prefeitura de Piçarras
O pronunciamento do vereador João Forte (PSDB) na tribuna da Câmara de Balneário Piçarras, durante a 2ª Sessão Ordinária de 2026, acendeu um novo embate político envolvendo o Grupo de Operação e Resgate (GOR), empresa terceirizada responsável por atendimentos a animais no município.
Em tom acusatório, o parlamentar afirmou que o GOR teria negado atendimento, se recusado a registrar ocorrência e tratado a população com descaso, ao relatar um episódio envolvendo duas cadelas abandonadas na região da Lagoa.
A fala foi usada para reforçar críticas antigas ao contrato da empresa com o município.
No entanto, a versão apresentada pelo vereador foi duramente rebatida pela médica veterinária e coordenadora do GOR em Balneário Piçarras, Yasmin Brum, que classificou a narrativa como incompleta, tecnicamente equivocada e politicamente irresponsável.
Segundo Yasmin, o vereador omitiu informações fundamentais ao relatar o caso. De acordo com a coordenadora, as cadelas citadas não apresentavam ferimentos, sinais clínicos de maus-tratos ou situação de acidente, requisitos mínimos para abertura de ocorrência conforme o termo de referência do contrato firmado com a Prefeitura.
“Não é o GOR que define o que atende ou não. Nós seguimos estritamente o que está no contrato aprovado pelo próprio município e fiscalizado pelos vereadores”, afirmou.
A coordenadora foi ainda mais contundente ao explicar que o GOR opera acima do limite contratual, acumulando prejuízos para evitar o agravamento de situações emergenciais, enquanto aguarda o edital, já publicado pela Prefeitura, para ampliar o contrato.
Atualmente, o contrato prevê o atendimento simultâneo de até 40 animais, com possibilidade de extrapolar para 60 em casos excepcionais.
Mesmo assim, o GOR mantém mais de 80 animais sob sua responsabilidade, número que, segundo Yasmin, escancara a omissão estrutural do município, que não possui abrigo público nem política efetiva para o crescente abandono de animais.
“É fácil apontar o dedo para a empresa terceirizada. Difícil é admitir que o município não tem abrigo, não amplia contrato e empurra o problema para quem já está no limite”, disparou.
Outro ponto sensível diz respeito à acusação de que o GOR teria se recusado a registrar a ocorrência.
Yasmin explicou que não existe ocorrência sem enquadramento legal, e que o simples abandono, sem flagrante ou identificação do responsável, não configura maus-tratos passíveis de recolhimento imediato dentro do contrato vigente.
A coordenadora também rebateu insinuações de falta de transparência, afirmando que todos os relatórios mensais, com fotos, localização, número de ocorrência e dados dos animais, são enviados à Prefeitura, auditados pelo fiscal de contrato e disponibilizados no Portal da Transparência, acessível inclusive aos vereadores.
“Se houve falha, não foi técnica. Foi política”, resumiu.






