Para especialista em direito tributário, tarifa de Trump sobre o Brasil pode provocar danos permanentes à economia de Santa Catarina
Os Estados Unidos são o principal parceiro comercial de Santa Catarina, motivo pelo qual a tarifa de Trump pode representar um baque em diferentes setores da economia estadual.
O presidente norte-americano anunciou, nessa quarta-feira (9), uma taxa de 50% sobre exportações do Brasil para o país. Para especialistas no setor, a medida afeta a competitividade do estado e pode ter reflexos definitivos.
Nesta quinta-feira (10), a Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) emitiu um comunicado criticando a decisão. Para o presidente da Fiesc, Mauro Cezar de Aguiar, a nova taxa permite que rivais de outros países ganhem vantagem sobre os catarinenses.
“A implementação da tarifa compromete a competitividade dos produtos catarinenses, uma vez que países concorrentes podem ser submetidos a taxas bem inferiores”, disse.
Tarifa de Trump causa preocupação generalizada, diz especialista
O entendimento da Fiesc vai ao encontro do que afirma o advogado tributário, Henrique Franceschetto. Para ele, o impacto da tarifa de Trump será bastante expressivo, principalmente, pelo curto prazo que os empresários terão para se adequar a medida, que deve entrar em vigor no dia 1º de agosto.
“Estamos falando em uma alteração daquilo que o governo Trump tinha imposto lá atrás, com uma tarifa de 10%. É muito difícil que uma empresa consiga se ajustar em tão pouco tempo, em 20 dias. A gente não sabe se isso vai entrar em vigor, se vai haver alternativa. Nesse primeiro momento, o que há é uma preocupação é generalizada”, avalia.
Para o tributarista, a tarifa de Trump é uma medida “muito mais política do que econômica”, em uma estratégia que também busca desestimular o Brasil em negociações com países emergentes que compõem o Brics. No início de julho, representantes dos dez países se reuniram no Rio de Janeiro para tratar de interesses comuns, como política, economia e negócios.
“Nesse momento, o Brasil deixa de ser um dos países que tinha uma das menores tarifas, de 10%, e passa a ter a imposição dessa tarifa de 50% e isso, com certeza, tem tudo a ver com essa movimentação do Brasil relacionada ao Brics, que tem adversários geopolíticos muito relevantes nos Estados Unidos, como a própria China, e você tem o Brasil se posicionando junto com eles”, explica Franceschetto.
O tributarista entende que a tarifa de Trump pode ser vista como uma “represália política”. “Esse movimento parece, sim, uma represália política, não apenas quanto à política manifestada na carta de Trump, mas também relacionada a geopolítica, em um contexto muito mais macro, a nível global”, complementa.
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