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PAREDÃO DE AREIA SURPREENDE MORADORES EM PIÇARRAS E LEVANTA QUESTIONAMENTOS SOBRE ALARGAMENTO DA PRAIA

Reprodução

Escarpa erosiva se formou próximo ao molhe da Avenida Getúlio Vargas; vereadores do PL cobram explicações da prefeitura sobre a obra concluída há menos de dois meses

Um grande paredão de areia chamou a atenção de moradores e turistas no trecho Norte da Praia Central de Balneário Piçarras, nas proximidades do molhe de pedras localizado na descida da Avenida Getúlio Vargas.

A formação da estrutura, que surgiu pouco mais de 50 dias após a conclusão da obra de alargamento da faixa de areia, gerou preocupação e levantou questionamentos sobre a intervenção realizada no local.

Segundo o Instituto do Meio Ambiente de Balneário Piçarras (IMP), o fenômeno observado é uma escarpa erosiva, considerada uma formação natural provocada pela ação das ressacas e pelo processo de acomodação da praia após a obra de engorda.

De acordo com o órgão, os meses de outono e inverno costumam registrar maior frequência de ressacas e passagem de frentes frias, fatores que aumentam a energia das ondas e favorecem a retirada de sedimentos da faixa de areia.

A situação é potencializada quando esses eventos coincidem com as chamadas marés de sizígia, conhecidas por apresentarem amplitudes mais elevadas.

O trecho onde a erosão foi registrada não fazia parte do projeto original. Inicialmente, a obra previa o alargamento de dois quilômetros da praia, entre o Molhe da Barra Sul e o molhe da Avenida Getúlio Vargas. Posteriormente, mediante aditivo contratual e embasamento técnico, os trabalhos foram estendidos por mais 430 metros em direção ao Sul.

Historicamente, a região afetada já registra episódios de fortes ressacas durante o inverno. Conforme especialistas, nesses casos é comum ocorrer a retirada temporária da areia, que tende a retornar gradativamente ao longo dos meses seguintes.

Diante do surgimento da escarpa, a bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara de Vereadores protocolou o Requerimento nº 051/2026 solicitando esclarecimentos ao Poder Executivo sobre a execução e os resultados da obra.

O documento é assinado pelos vereadores Gleber Silveira, Maikon Rodrigues e Robson Bigo.

Entre os questionamentos apresentados estão a viabilidade técnica da intervenção, os estudos que embasaram a execução do projeto, os relatórios de monitoramento ambiental, a responsabilidade da empresa contratada e as possíveis medidas corretivas que poderão ser adotadas pela administração municipal.

O requerimento será apresentado e votado pelos vereadores durante a sessão da Câmara Municipal marcada para a próxima terça-feira, dia 16.