Uma servidora comissionada da prefeitura de Balneário Piçarras foi flagrada fazendo uso da rede de comunicação Whatsapp para promover discussões e atacar desafetos da administração municipal. Nada demais não fosse por um detalhe: o horário de expediente. Até mesmo o repórter do Oiscnotícias foi removido do grupo a pedido dos administradores.
Segundo os participantes do Grupo Região Itacolomi, a assessora da Secretaria de Obras Raphaela Staack Michel usou o argumento das “regras de boa conduta” para silenciar opiniões contrárias ao posicionamento da atual administração. Raphela é moradora do bairro e administradora do grupo de Whatsapp.
A confusão começou após a publicação da reportagem no Oiscnotícias sobre o descaso da prefeitura com a suspensão do sistema das câmeras de monitoramento no Itacolomi, onde há os maiores índices de furtos e arrombamentos a comércios e residências.
A informação do desligamento do sistema de monitoramento provocou reação imediata dos integrantes do grupo, que logo passaram a questionar a administração municipal sobre a falta de investimentos em segurança.
“Acabou de entrar e já está causando?”,
questionou raphaela
A servidora Raphaela Staack Michel chegou a perguntar ironicamente a uma das participantes da rede de comunicação: “Acabou de entrar e já está causando?”. A mensagem que deu início a um bate-boca foi enviada por Raphaela às 11h15 da manhã de terça-feira (27), dentro do horário de expediente, que vai das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30.
Na continuidade da discussão, a servidora faz nova postagem avisando aos demais participantes do grupo que “vai bloquear as mensagens temporariamente porque viu duas pessoas escrevendo. As mesmas que estavam questionando e enchendo o grupo de mensagens”. Com a repercussão do caso, Raphaela deixou a função de administradora do grupo na manhã desta quinta-feira.
Mudança de prioridade
Antes de ser nomeada ao cargo por indicação de aliados políticos do prefeito Tiago Baltt (MDB) Raphaela Staack Michel, ocupou a função de Contatos Sociais e Assuntos Comunitários e também de presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg). Foi durante o período que esteve à frente do órgão que aconteceu uma reunião com a empresa Urbanii para discutir o sistema de monitoramento.
A cobrança pelos investimentos em segurança deixaram de ser prioridade e as reuniões para discutir propostas de melhoria foram deixadas de lado com a nomeação de Raphaela ao cargo comissionado. Em 2019, a hoje servidora esteve à frente de reuniões e do manifesto “Por Balneário Piçarras mais segura”, quando o prefeito na época era Leonel Martins (PSDB).
Uso do WhatsApp
Para o advogado Christian Lefance Soder, o WhatsApp não é oficial, posto que é informal. “Não é legal, porque não é previsto em legislação o seu uso no serviço público (aqui, legalidade é entendido como somente fazer o que é previsto em lei). Não é impessoal, porque as mensagens carregam, em si, pessoalidade”, observou.
Ao contrário do que diz a legislação, porém, o uso do WhatsApp mesmo em telefones particulares dos servidores públicos de Balneário Piçarras tem sido considerado por alguns setores do governo como uma prática comum.
Não vejo qualquer problema nisso”, simplificou o chefe de gabinete joão sensi
O chefe de gabinete do prefeito de Balneário Piçarras, João Sensi, tentou amenizar o problema com uma frase simplória: “Qual é o problema de responder uma mensagem de grupo do WhatsApp, quanto tempo ela perdeu? A gente não consegue controlar. Não vejo qualquer problema nisso”, simplificou.
O outro lado
Em nota oficial encaminhada a reportagem do Oiscnotícias nesta quinta-feira (29), a prefeitura concorda que o uso das redes de comunicação precisam ser usadas com limites e “determinados protocolos”.
Ainda segundo o texto, a prática cometida pela servidora Raphaela ao fazer uso do celular durante o expediente é tolerada em razão de se tratar do tema segurança
“É fato que uma servidora participa de um grupo de Discussões sobre Segurança. É algo que preocupa a muitos. E isso não corresponde a qualquer problema no desenvolvimento de suas atividades enquanto profissional. E caso o haja, haverá, por certo, sistemas de controle, chefia”, rebate a nota encaminhada sem a assinatura do setor de comunicação responsável.






