A controladora de acesso Fernanda Cipriano, de 35 anos, relembra com pesar o medo que o filho sentia do professor de Ciências da Escola Estadual Pedro Roberto Vaghi, localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo.
Diariamente, o adolescente, que é negro, era chamado de “cachimbo de macumba” em sala de aula.
O caso, ocorrido em 2023, foi denunciado na Justiça, e o governo estadual foi condenado este mês a pagar uma indenização de R$ 10 mil por danos morais ao estudante. Cabe recurso à decisão.
No processo, constam relatos de que o professor se referiu à vítima, que à época tinha 11 anos, com frases como “ele se parece com cachimbo de macumba” e “não vou à praia para não ficar preto como ele”.
Também foi dito que o docente alegava não gostar de lecionar naquela escola porque havia muitos “pobres e pretos”, e que ele chegou a afirmar que um estudante deveria levar uma “cipozada”.
“Quando soube, revivi tudo o que eu passei na minha infância, também marcada pelo racismo. Eu sempre criei meu filho preparado para sofrer esse tipo de agressão, mas nunca esperei que fosse partir de um professor na escola. Ele (o docente) dizia abertamente que não gostava de preto e pobre, e proferia as ofensas até contra os colegas de trabalho. Hoje, meu filho está bem, porque ele sabe do valor dele, mas doeu e ainda dói para ele relembrar do que aconteceu”, conta Fernanda.
Apesar de não haver, por exemplo, a gravação do momento em que o educador proferiu as ofensas racistas, a Justiça entendeu que os atos foram suficientemente demonstrados por outros meios, como um boletim de ocorrência registrado na data do incidente, relatos de testemunhas e documentos da própria apuração feita pela escola.
O contrato do professor com a escola foi encerrado logo após os episódios, mas o motivo formal foi o excesso de faltas injustificadas, já que o educador parou de ir à escola após as denúncias.
Em nota, a Secretaria de Educação informou que “o Estado de São Paulo já foi notificado da decisão e o processo está sob análise da Procuradoria Geral do Estado (PGE/SP).”
A pasta não respondeu se implementou ações de combate ao racismo após o episódio. (Com informações O Globo)






