Entre 1º de janeiro até 10 de maio de 2023, a Polícia Federal foi às ruas ao menos 15 vezes em Santa Catarina combater o narcotráfico ou lavagem de dinheiro. Em algumas ações, como de 4 de maio, os dois crimes estavam interligados e os suspeitos de tráfico também lavavam o capital da droga no Estado.

Na maioria das vezes, os mandados foram cumpridos no Litoral Norte catarinense, região que concentra cidades com o maior metro quadrado para construção do Brasil e que nos últimos anos vivem um boom imobiliário, com construção de arranha-céus e imóveis de alto padrão.

Nem sempre as operações eram deflagradas no Estado, mas tinham mandados de prisão e busca e apreensão de carros, imóveis e lanchas de luxo no Litoral Norte.

Entre elas, está a operação Downfall, que cumpriu mandados Balneário CamboriúItajaíItapema, Joinvile, Penha, Porto Belo, São Francisco do Sul e Tijucas, mas foi deflagrada em Curitiba.

Na ação, a PF informou que o grupo apontado por enviar cocaína por contêineres até a Europa investia os recursos da lavagem em imóveis de luxo no litoral catarinense. A PF disse ainda que os traficantes ocultavam os ganhos do narcotráfico com a ajuda de empresas da região.

Na ação, também foi decretado o sequestro de imóveis de luxo, bloqueio de bens e valores e aplicações financeiras em um valor estimado em mais de R$ 1 bilhão.

Na operação Best Seller, em 26 de abril, um advogado de Navegantes foi alvo da ação apontado como responsável por fazer a lavagem do dinheiro proveniente do tráfico. Além dele, outros investigados da operação já haviam sido investigados em outra ocasião, como a operação B.C. Laundry, de 2022.

Em um balanço feito pelo g1 SC com base nas informações divulgadas pela Polícia Federal, desde o início do ano o órgão cumpriu mandados relacionados em ao menos 26 operações. Além do tráfico e lavagem, houve ações contra o descaminho de vinho e contrabando, por exemplo.

Outras operações em SC

A primeira operação do ano no Estado para combater o tráfico foi deflagrada ainda em 12 de janeiro. Segundo a PF, a investigação buscava desarticular uma organização criminosa que recrutava jovens para transportar drogas do Paraguai para a cidade de Balneário Camboriú, no Litoral Norte.

Na ocasião, os mandados foram expedidos pela Justiça do Mato Grosso do Sul, mas todos os seis de buscas e apreensão e cinco de prisão tiveram cumprimento nas cidades de Balneário Camboriú, Rio do Sul e São Bento do Sul.

Na manhã de 26 de janeiro, a Polícia Federal deflagrou a operação Fim do Mundo para combater a lavagem de dinheiro vinda do tráfico de drogas e armas no Estado do Rio de Janeiro. Foi descoberto que um dos três grupos que cometia os crimes era liderado por dois irmãos que usavam o lucro do tráfico para comprar imóveis de alto padrão em Balneário Camboriú.