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Pacientes saem do PA com receita na mão e sem acesso a medicamentos em Piçarras: “Nem todo mundo pode comprar”

Reprodução

Moradores relatam dificuldades para retirar medicamentos durante feriados prolongados e horários alternativos e reclamações feitas a Ouvidoria da prefeitura ficam no “vácuo”

A falta de medicamentos no Pronto Atendimento (PA) de Balneário Piçarras considerado um problema antigo durante os feriados prolongados voltou a gerar revolta entre moradores.

Uma mãe procurou a reportagem do OISC indignada para reclamar que precisou comprar do próprio bolso o antibiótico prescrito para sua filha de apenas 4 anos, já que o medicamento não estava disponível para retirada durante o feriado prolongado.

Segundo a moradora, ela esteve no PA com a criança na quinta-feira (4) e após a consulta médica teve um antibiótico prescrito para a filha.

“Hoje estive no PA com minha filha de 4 anos. Foi solicitado antibiótico. A questão é: como uma pessoa sem recursos faz para ter acesso ao medicamento se a Farmácia Central só abre na segunda-feira? Eu, graças a Deus, tive como ir comprar. E quem não tem recursos?”, questionou.

A mãe afirma que essa não é uma reclamação nova e que já havia levado o assunto ao conhecimento do atual secretário municipal de Saúde, Rodrigo Medeiros logo após ele assumir o cargo.

Problema antigo

De acordo com a moradora, a falta de acesso a antibióticos para pacientes atendidos no Pronto Atendimento é uma situação que se repete há anos no município.

“Quem ficou doente ontem à noite já está sem conseguir antibiótico. Isso acontece há anos. Em outras cidades, como Itajaí, Balneário Camboriú e Camboriú, os prontos atendimentos fornecem esses medicamentos. Por que em Piçarras que está crescendo e aumentando cada vez mais sua população isso não acontece?”, questionou.

A situação se torna ainda mais preocupante em feriados prolongados e finais de semana, quando a Farmácia Central permanece fechada.

“Hoje é quinta-feira, amanhã é ponto facultativo, depois vem sábado e domingo. Minha filha está com uma infecção de ouvido séria e não consegue receber o medicamento pelo sistema público. Como as pessoas vão esperar até a próxima semana?”, desabafou.

Comparação com outras cidades

A moradora relatou que, ao questionar o atual secretário de Saúde sobre o assunto, ouviu que a distribuição desses medicamentos exigiria um controle específico.

“Ele disse que queria estudar o assunto e que seria algo mais complexo por causa do controle dos medicamentos. Mas é engraçado que só aqui em Piçarras isso parece ser complexo. Em várias outras cidades os pacientes conseguem receber esses remédios normalmente nos prontos atendimentos”, afirmou.

“Nem todo mundo tem dinheiro para comprar”

Além da preocupação com a própria filha, a moradora destacou a realidade enfrentada por famílias que dependem exclusivamente do sistema público de saúde.

Ela contou que, enquanto estava em uma farmácia da cidade comprando o medicamento, presenciou situações que demonstram a dificuldade de muitas pessoas.

“Vi uma pessoa pedindo ajuda para comprar um remédio e outra desistindo porque não tinha dinheiro. Nem todo mundo tem condições de pagar. Fico imaginando como as pessoas mais carentes fazem numa situação dessas”, relatou.

Cobrança por uma solução

A denunciante também criticou o que considera uma falta de prioridade da administração municipal diante de uma demanda que afeta diretamente a saúde da população.

“Eles se preocupam tanto com shows, eventos e outras atrações, mas não conseguem encontrar uma solução para garantir antibióticos em casos de emergência durante finais de semana e feriados”, disse.

O relato reacende uma discussão antiga em Balneário Piçarras sobre a necessidade de criar mecanismos para que pacientes atendidos no Pronto Atendimento tenham acesso imediato aos medicamentos prescritos, especialmente quando a Farmácia Central está fechada.

Moradores relatam dificuldades para retirar medicamentos e Ouvidoria da prefeitura sem atendimento

A dificuldade de acesso a medicamentos após atendimento no Pronto Atendimento não é uma reclamação isolada. Um caso semelhante foi relatado recentemente nas redes sociais por uma moradora de Balneário Piçarras.

Em publicação no grupo SOS Piçarras, a moradora Bruna Eduarda contou que procurou o PA com a filha para uma reavaliação de um quadro de influenza. Após a consulta, recebeu receitas médicas e foi orientada a buscar os medicamentos no NASF.

No entanto, ao chegar ao local, encontrou a unidade fechada.

Segundo o relato, outras pessoas também aguardavam atendimento sem qualquer informação sobre o motivo do fechamento ou sobre um local alternativo para retirada dos medicamentos.

“Tinha um senhor esperando quando cheguei. Depois chegou mais uma mulher. Ninguém sabia o que estava acontecendo. Ninguém sabia se o horário tinha mudado, se era por causa do feriado ou se tinha algum outro lugar para retirar os medicamentos”, escreveu.

A moradora afirmou ainda que as informações divulgadas pela Prefeitura indicavam que os serviços de saúde e a farmácia funcionariam normalmente das 7h às 17h, o que levou diversas pessoas a procurarem o local.

Ela também relatou dificuldades para obter esclarecimentos junto aos órgãos responsáveis.

“Enquanto estava esperando, tentei ligar para a Secretaria de Saúde. Ninguém atendeu. Liguei para a Ouvidoria. Ninguém atendeu”, afirmou.

O episódio reforça as reclamações de moradores sobre a falta de informações e a dificuldade de acesso a medicamentos na rede pública municipal, especialmente em períodos de feriados e mudanças de horário de atendimento.

ESPAÇO ABERTO PARA EXPLICAÇÕES DA PREFEITURA

A reportagem mantém espaço aberto para que a Secretaria Municipal de Saúde de Balneário Piçarras se manifeste sobre os questionamentos levantados pela moradora e esclareça quais medidas podem ser adotadas para garantir o acesso da população aos medicamentos em períodos de feriados e finais de semana.