Filha afirma que homem, com histórico de internações psiquiátricas, saiu da unidade sem que ela fosse informada; Prefeitura diz que paciente recebeu atendimento, medicação e orientações antes da evasão
Um episódio envolvendo um paciente em surto psiquiátrico gerou preocupação e questionamentos sobre os procedimentos adotados em um pronto-atendimento de Santa Catarina.
Segundo relato da filha, que afirma ser tutora do homem, ele foi levado à unidade após um episódio de alteração e agressividade, mas acabou deixando o local sem que a família soubesse como ou quando isso aconteceu.
De acordo com o relato, o paciente possui diagnóstico psiquiátrico, histórico de internações na Colônia Santana e no Instituto de Psiquiatria de Santa Catarina (IPQ), além de episódios anteriores de comportamento agressivo.
A filha conta que, durante a manhã, o homem teria entrado na residência de uma familiar e tentado agredi-la. A situação mobilizou uma guarnição policial e uma ambulância, que encaminharam o paciente ao pronto-atendimento.
Na unidade, segundo a familiar, o homem recebeu medicação e permaneceu dormindo. Ela afirma que se ausentou por alguns minutos para ir ao banheiro e, ao retornar, não encontrou mais o pai no local.
“Ninguém sabe me dizer onde o meu pai está, ninguém sabe me dizer o que aconteceu com o meu pai”, relatou.
A filha também questiona a ausência de um documento formal de liberação. Segundo ela, como tutora, não assinou qualquer documento autorizando a saída do paciente e afirma que o próprio homem, devido às condições em que se encontrava, também não teria condições de formalizar uma saída.
A preocupação aumentou porque, segundo a familiar, o homem teria deixado a unidade ainda em uma situação considerada de vulnerabilidade e poderia estar circulando pelas ruas.
O que diz a Prefeitura
Em resposta aos questionamentos, a Prefeitura informou que o paciente foi atendido pelo médico plantonista assim que chegou à unidade e recebeu medicação. Conforme a Secretaria de Saúde, naquele momento não havia indicação para contenção física.
A administração municipal afirma que a equipe de enfermagem realizou uma abordagem humanizada, por meio do diálogo, e conseguiu que o paciente aceitasse a medicação e permanecesse dormindo.
Ainda segundo a Prefeitura, antes da evasão, a acompanhante recebeu orientações da equipe de Saúde. O médico e outros profissionais da unidade teriam conversado com ela sobre a situação.
A equipe também teria conversado com o vigilante, que informou à acompanhante que, caso houvesse necessidade, conversaria com o médico responsável para avaliar eventual contenção.
A Secretaria de Saúde informou ainda que os profissionais verificaram os laudos e o histórico do paciente e orientaram a família sobre a necessidade de avaliação e acompanhamento pela rede de saúde e assistência social do município de origem, além da possibilidade de buscar atendimento junto ao serviço de referência de Penha.
Paciente deixou a unidade após receber medicação
Segundo a versão oficial, a evasão ocorreu posteriormente, após o paciente receber a medicação. A Secretaria reforçou que, durante o período em que permaneceu no pronto-atendimento, ele recebeu avaliação médica, medicação, acompanhamento da equipe de enfermagem e orientações à acompanhante.
A Prefeitura também informou que permanece à disposição para prestar esclarecimentos, ressaltando que informações relacionadas ao atendimento e às condições clínicas do paciente estão submetidas às regras de privacidade e sigilo previstas em lei.
O caso levanta questionamentos da família sobre os procedimentos adotados após o atendimento e sobre a comunicação com a acompanhante, enquanto a administração municipal sustenta que houve atendimento médico, acompanhamento e orientação antes da saída do paciente.



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