Mensagens internas apontam que paciente recebeu medicação diferente da prescrita pela segunda vez; Secretário de Saúde, Nestor Felipe da Luz afirma que não houve risco grave
Uma denúncia envolvendo o Pronto Atendimento (PA) de Penha levantou preocupação entre profissionais da saúde após a circulação de mensagens internas relatando erros na administração e fornecimento de medicamentos.
De acordo com denúncias encaminhadas a reportagem, uma paciente teria recebido, pela segunda vez, um medicamento diferente daquele prescrito pelo médico.
Segundo mensagem encaminhada ao grupo da equipe de enfermagem, na primeira ocorrência foi administrado Haloperidol e, na segunda, Biperideno, enquanto a prescrição médica indicava Decanoato de Haloperidol (medicamento antipsicótico injetável de ação prolongada. Ele serve para o tratamento de manutenção em pacientes com psicoses crônicas estabilizadas, como a esquizofrenia, ajudando a controlar delírios, alucinações e a agitação psicomotora.)
A situação motivou um alerta interno aos profissionais para que redobrassem a atenção durante a administração de medicamentos.
“Precisamos reforçar a atenção durante a administração de medicamentos. Temos uma paciente que, pela segunda vez, recebeu um medicamento diferente do prescrito”, diz um trecho da mensagem QUE NOSSA REPORTAGEM TEVE ACESSO.
Ainda conforme o comunicado, o Decanoato de Haloperidol não faz parte da lista de medicamentos disponíveis no PA de Penha.
A orientação recebida junto ao CAPS é que os pacientes retirem o medicamento na Farmácia Municipal e realizem a aplicação em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). No entanto, segundo o relato, alguns acabam procurando o Pronto Atendimento para receber a medicação.
As mensagens também destacam que, apesar dos nomes semelhantes, Haloperidol e Decanoato de Haloperidol possuem apresentações diferentes e não devem ser substituídos automaticamente.
Conversas revelam indignação
Além do comunicado interno, conversas por aplicativo de mensagens mostram a indignação de pessoas ligadas ao caso.
Outra pessoa relata uma experiência envolvendo atendimento no PA, afirmando que sua mãe precisou procurar atendimento em outro hospital após não ter o problema identificado inicialmente.
As mensagens sugerem a cobrança por providências e investigação sobre o episódio.
Secretário afirma que não houve risco clínico significativo
Procurado pela reportagem, o secretário municipal de Saúde de Penha, Nestor Felipe da Luz, explicou que houve um equívoco relacionado à apresentação farmacêutica do medicamento, mas que a situação não representa, em regra, risco grave ao paciente.
Segundo ele, tanto o Haloperidol convencional quanto o Decanoato de Haloperidol possuem o mesmo princípio ativo, porém apresentam formulações diferentes.
“O Haloperidol injetável convencional possui ação rápida, enquanto o Decanoato de Haloperidol é uma formulação de depósito, com efeito prolongado por várias semanas”, explicou.
De acordo com o secretário, quando ocorre a administração do Haloperidol convencional no lugar do Decanoato, normalmente não são esperadas complicações clínicas importantes, pois ambos contêm o mesmo princípio ativo.
“O principal impacto está relacionado ao tempo de duração do efeito terapêutico. Nesses casos, recomenda-se apenas avaliação clínica do paciente e comunicação ao médico responsável para definir eventual complementação ou reprogramação da dose”, afirmou.
Ainda segundo Nestor, trata-se de um erro relacionado à apresentação do medicamento e não à troca por um princípio ativo diferente, o que reduz significativamente a possibilidade de danos imediatos ao paciente.
Caso acende alerta
Mesmo com o esclarecimento técnico da Secretaria de Saúde, o episódio reforçou a preocupação entre profissionais da própria unidade, que pediram maior atenção na conferência das prescrições médicas antes da administração dos medicamentos.






