Empresário e influenciador de Santa Catarina, entra na disputa por uma vaga em Brasília, mesmo sob restrições judiciais impostas pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal
O empresário e influenciador Bismark Fugazza oficializou sua pré-candidatura a deputado federal por Santa Catarina. Filiado ao Podemos, ele passa a integrar o cenário político eleitoral de 2026 em uma condição incomum: submetido a medidas cautelares impostas pelo STF, que limitam sua mobilidade e comunicação.
Entre as restrições determinadas, está a proibição de sair do município de Penha (SC), o que reduz significativamente sua capacidade de cumprir agendas presenciais em outras regiões do Estado.
Além disso, Fugazza segue impedido de utilizar redes sociais — ferramenta central para sua projeção pública — e permanece sob monitoramento eletrônico, com uso de tornozeleira.
Mesmo diante desse cenário, o pré-candidato afirma que pretende estruturar sua campanha com base em apoiadores, articulação política presencial e estratégias indiretas de comunicação.
“Vamos encontrar formas de levar a mensagem até as pessoas, mesmo com todas as limitações impostas”, declarou Bismark.
Em tom crítico, ele também comenta sua situação judicial: “Eu cometi o maior crime que existe dentro do Brasil. É um crime que não está na Constituição, que é o crime de opinião. Eu falei e por isso fui preso”, afirmou.
Prisão e medidas cautelares
Morador de Penha, Bismark Fugazza ganhou notoriedade nacional como integrante do Canal Hipócritas. Ele passou a ser investigado no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), em inquéritos que apuram a atuação de pessoas e grupos suspeitos de incentivar atos considerados antidemocráticos após as eleições de 2022.
Em 13 de dezembro de 2022, o ministro Alexandre de Moraes determinou sua prisão. Na ocasião, Fugazza deixou o Brasil e foi posteriormente localizado no Paraguai, onde acabou detido em março de 2023, a pedido das autoridades brasileiras.
Após expulsão, já que não houve processo de extradição, permaneceu preso por 91 dias em regime fechado. Posteriormente, obteve liberdade provisória mediante o cumprimento de uma série de medidas cautelares, que seguem vigentes até hoje.
Entre essas medidas, além da restrição de deslocamento e do uso de tornozeleira eletrônica, esteve a determinação de remoção de conteúdos do Canal Hipócritas e de suas redes pessoais, que concentravam grande alcance digital.
“Estou há três anos utilizando tornozeleira eletrônica com todas essas cautelares”, relatou. Ele afirma ainda não compreender os fundamentos das decisões judiciais: “Eu não fui condenado, não fui indiciado, não fui denunciado. Não tem nada contra mim”, disse.
Segundo o influenciador, sua soltura ocorreu por ausência de “indícios minimamente razoáveis para manter a acusação”, conforme apontamentos da Polícia Federal. Ele também sustenta não ter qualquer ligação com os atos de 8 de janeiro de 2023.
Fugazza classifica sua prisão como ilegal e relata que foi detido em país estrangeiro sem que houvesse, segundo ele, um pedido formal via Interpol.
O episódio, afirma, teve forte impacto pessoal e familiar. Ele cita o trauma vivido por seus filhos pequenos, o abalo emocional de sua esposa, que estava grávida na época, a depressão de sua mãe e a morte de seu pai, que enfrentava um câncer e faleceu dias após sua libertação.
O Canal Hipócritas e projeção nacional
O Canal Hipócritas foi criado por Bismark Fugazza, Paulo Souza e Augusto Pacheco, e se consolidou como um dos principais canais brasileiros com conteúdo político no YouTube, alinhado a pautas conservadoras.
O projeto ganhou força a partir de 2017, quando o grupo viralizou com conteúdos de grande alcance, incluindo paródias e vídeos com críticas sociais e políticas.
Ao longo dos anos, o canal passou a abordar temas como liberdade de expressão, valores religiosos, críticas à esquerda, ideologia de gênero, políticas públicas e decisões de instituições como o Supremo Tribunal Federal.
Hoje, somadas, as redes do Canal Hipócritas ultrapassam a marca de 4 milhões de seguidores, evidenciando o alcance e a influência digital do grupo no debate público nacional.
Com linguagem direta e forte engajamento, o canal se tornou uma das vozes mais conhecidas dentro do campo conservador digital no Brasil, especialmente durante o período de ascensão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os criadores também produziram conteúdos independentes e entrevistas com personalidades públicas, como Regina Duarte e Karina Bacchi.
Apesar das polêmicas envolvendo suas posições, o grupo sempre sustentou independência financeira e editorial. “As pessoas se identificam com o nosso pensamento e sabem que não recebemos um centavo de nenhum político ou empresa”, já afirmaram em entrevistas.
Discurso político e bandeiras
Ao lançar sua pré-candidatura, Fugazza afirma que pretende levar ao Congresso pautas relacionadas principalmente à liberdade individual e de expressão.
“Eu sinto na pele hoje o que é a falta de liberdade. Eu utilizo uma tornozeleira eletrônica exatamente porque o sistema não aceita quem pensa diferente”, declarou.
Ele também faz críticas diretas ao Congresso Nacional, mencionando o que considera omissão de parlamentares diante de casos como o seu, e afirma que pretende atuar politicamente para mudar esse cenário.
“Passei por uma prisão, fiquei 91 dias em regime fechado e sigo com restrições até hoje. Isso muda a forma como a gente enxerga o país e fortalece ainda mais o propósito de lutar por Justiça”, afirmou.
Mesmo com as limitações impostas, o influenciador aposta na mobilização de sua base de apoiadores e no engajamento fora das redes sociais como caminho para viabilizar sua candidatura.
A pré-campanha deve ser marcada por articulação local, presença em agendas restritas e fortalecimento de alianças políticas dentro do Estado.






