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DIA DO TRABALHADOR Não tem carne, nem cerveja e muito menos sorteio de brindes!

Por Marcos de Oliveira

O Dia do Trabalho chegou. E, para muitos, está passando quase como um dia comum. Sem festa, sem confraternização, sem aquele momento simbólico que, por anos, serviu para reconhecer — ainda que de forma simples — quem carrega o serviço público nas costas.

Cadê a carne? Cadê a cerveja? E o sorteio de brindes que, goste ou não, sempre foi um gesto de valorização, especialmente para o servidor que ganha menos e raramente vê qualquer tipo de retorno além do salário apertado no fim do mês? Não se trata apenas de churrasco ou de festa. Trata-se de reconhecimento.

O trabalhador da base — aquele que acorda cedo, bate ponto, atende a população, resolve problemas e muitas vezes ainda leva reclamação para casa — também precisa sentir que é lembrado. E não só em discurso bonito ou postagem de rede social

Nos últimos anos, criou-se um discurso de contenção, economia, responsabilidade fiscal. Tudo isso é importante, claro. Mas curiosamente, quando o assunto é cortar, o primeiro a perder é sempre o mais simples. Aquele evento básico, sem luxo, mas cheio de significado, desaparece.

Já outras despesas, essas parecem seguir firmes, intactas e, às vezes, até ampliadas. O problema não é a falta de festa. É o que ela representa. A ausência desse momento escancara uma realidade desconfortável: o servidor que ganha menos continua sendo o último da fila quando o assunto é valorização.

Porque, sejamos sinceros: para quem tem salário alto, cargo de confiança ou benefícios acumulados, a falta de um churrasco no Dia do Trabalho não faz diferença alguma. Mas para quem ganha pouco, aquele dia era mais do que comida e bebida — era pertencimento, era integração, era, ainda que por algumas horas, um reconhecimento coletivo.

E quando isso some, fica o silêncio. E no lugar da confraternização, sobra a sensação de descaso. O Dia do Trabalho deveria ser, acima de tudo, um momento de reflexão.

Sobre direitos, sobre dignidade, sobre valorização real. Mas também sobre pequenos gestos que fazem diferença no cotidiano de quem sustenta a máquina pública.

No fim das contas, a pergunta continua ecoando nos corredores e nas conversas de bastidores: Cadê a carne, a cerveja e o sorteio de brindes? Ou melhor: cadê o respeito com quem mais precisa dele?

Marcos de Oliveira, jornalista
MTb 5121 SC