Wagner Cordeiro, professor de educação física e morador do bairro Santa Lídia, em Penha, completou, no último domingo (24 de maio), os 21 km da Trac Trail em 60º lugar na classificação geral, entre 603 inscritos, e em 26º na sua categoria.
Correu de cabeça erguida em um percurso castigado pela chuva da semana e pela subida do Morro dos Muller, e cruzou a linha levando no peito a camisa da CEOCON, o grupo empresarial de Penha que o convidou para coordenar um novo projeto.
Disputada no interior de Santa Catarina, a prova reuniu corredores de cerca de nove estados, sinal de um evento jovem que já conversa com o circuito nacional.

Aberta para inscrições ainda em janeiro, entregou o básico bem feito, na avaliação de quem correu: inscrição, retirada de kit e sinalização de percurso sem improviso.
“Foi uma prova difícil, de altimetria elevada. O Morro dos Muller é uma subida muito dura, e a lama deixou tudo ainda mais desafiador”, afirmou Cordeiro. Para ele, a competição se firma no calendário: “É uma prova que veio para ficar, no cenário catarinense e no nacional.”
O que muda na CEOCON. Wagner não era atleta parceiro do grupo. Ele passa a integrar a operação agora, convidado para assumir a coordenação do CEOSPORT, frente de esporte e performance empresarial que nasce dentro do MENTE PRO 360, programa de saúde mental empresarial da CEOCON.
O chamado seguiu critérios claros: professor de educação física, praticante de uma modalidade de alto rendimento, amigo de infância de Jefferson Custódio e parceiro de confiança em projetos que os dois já tocaram juntos.
Entrou justamente para abrir uma frente que a CEOCON ainda não tinha, já que nenhum nome atuava nessa modalidade.
“Nosso projeto está criando corpo. Agora temos mais uma modalidade, o trail running, com o Wagner”, diz Jefferson Custódio, CEO do Grupo CEOCON.
“Tem atleta que prefere a terra, tem quem prefira o asfalto. O Wagner é meu amigo de infância, um profissional muito capacitado e um parceiro em vários projetos. Ele vai nos ajudar a construir esse grande projeto, que está ganhando corpo e formato.”
A escolha não é coincidência de marketing. Correr na trilha é um laboratório honesto do que o programa prega dentro das empresas: desempenho que dura não nasce de surto de motivação, mas de carga bem dosada, recuperação e repetição.
O Morro dos Muller, nesse sentido, é uma boa metáfora do que o empresário catarinense enfrenta fora da trilha. Colocar um professor de educação física para conduzir essa frente, em vez de tratar atividade física como brinde de fim de ano, é o tipo de decisão que separa um programa de saúde corporativa de fachada de um programa com método.
Segundo o atleta, as próximas provas sobem a régua em sequência: os 32 km das 20 Milhas do Jacaré, em Camboriú; a Discovery Trail, no Paraná, prevista para setembro; e o fechamento do ano nos 25 km da Mons Ultra Trail, que ele descreve como a “grande prova do Sul do Brasil”.
A leitura de fundo vai além do esporte. A corrida em trilha cresce em Santa Catarina como cresce no Brasil, empurrada por um público adulto que troca a esteira pela serra.
Para uma economia regional que vive de turismo e eventos, cada prova com 600 inscritos e gente de nove estados também é caixa: diárias, alimentação, deslocamento.
O Litoral Norte, que domina a gramática da alta temporada, faria bem em ler o trail running como vetor de turismo de experiência justamente nos meses de baixa.
Por ora, fica o registro: um professor de Penha encarou lama, altimetria e 602 concorrentes, terminou na frente de nove em cada dez e volta para casa não só com a medalha, mas com um projeto para tocar. Na trilha e na empresa, a conta é a mesma: quem treina a constância chega.




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