A Polícia Civil prorrogou por mais 30 dias a prisão temporária do homem suspeito de ter emprestado a pistola usada por Almir Rogério de Sena Soares (42 anos) para assassinar a ex-companheira Daiane Simão da Costa (35 anos).
O crime ocorreu no dia 17 de janeiro e chocou toda a comunidade piçarrense. Daiane foi morta a tiros apenas três dias após Rogério deixar o Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí, onde estava preso desde dezembro por ameaçar de morte e injuriar a então esposa no contexto de violência doméstica.
Medida protetiva ignorada
Daiane registrava boletins de ocorrência contra o ex-companheiro desde 2018 e possuía medida protetiva vigente. Mesmo assim, acabou sendo vítima de feminicídio. Ela deixa quatro filhos órfãos.
Segundo a Polícia Militar, disparos de arma de fogo foram ouvidos por agentes que saíram para averiguação e encontraram homem e mulher caídos, ambos atingidos. O Corpo de Bombeiros confirmou ainda no local a morte de Daiane. A cena foi registrada por câmeras de monitoramento.
Arma emprestada?
A investigação, conduzida pela delegada Beatriz Ribas, busca esclarecer como a pistola calibre 9 milímetros foi entregue ao autor do crime e se o proprietário tinha conhecimento da finalidade para a qual seria utilizada.
O suspeito foi preso no mesmo dia do assassinato, após procurar a polícia para registrar um boletim alegando que a arma havia sido furtada. A versão não convenceu os investigadores, que apontam indícios de que o armamento teria sido cedido voluntariamente. A pistola, o carregador e as munições foram apreendidos na cena do crime.
Além da prisão em dezembro por violência doméstica, Rogério já possuía antecedente por tráfico de drogas em 2020.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil e reacende o debate sobre a efetividade das medidas protetivas e a responsabilização de terceiros que, direta ou indiretamente, contribuem para tragédias anunciadas.






