Início BRASIL Mulheres transformam o setor de TI, mas ainda enfrentam barreiras para crescer

Mulheres transformam o setor de TI, mas ainda enfrentam barreiras para crescer

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Histórias de mulheres em distintas fases da carreira revelam avanços na inclusão e os desafios que ainda limitam o crescimento feminino na tecnologia

O avanço das mulheres na tecnologia começa a mudar a estrutura de um setor que, por décadas, se manteve como um dos mais masculinos da economia.

A presença feminina cresce em ritmo superior à masculina e vem provocando transformações culturais dentro das empresas, ainda que os obstáculos, especialmente ligados à maternidade e à progressão na carreira, continuem evidentes.

Segundo a Brasscom, as mulheres já representam 38,9% dos empregos formais no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil.

Desde 2020, o crescimento anual é de 7,7%, superando em 1,5 ponto percentual o ritmo masculino.

A mudança é percebida no cotidiano das profissionais, que ocupam cada vez mais funções técnicas e de liderança.

“A trajetória da participação feminina na TI já está consolidada e é irreversível”, diz Neide Cabral, 60, especialista em Governança Global de Telecomunicações, que atuou 20 anos em grandes empresas de tecnologia. Ela iniciou a carreira há quatro décadas, quando era comum ser a única mulher em equipes inteiras.

“Já ouvi que eu entregava mais, mas a promoção iria para ele porque era homem. Foram experiências duras, mas que me ensinaram a me posicionar e a buscar reconhecimento pelo resultado”. 

A trajetória de Neide reflete uma virada geracional. Entre profissionais mais jovens, como Hellen Cristina Ancelmo, 32, cientista de dados sênior na área de Pesquisa e Desenvolvimento da ST-One, a presença feminina se tornou mais visível, embora a liderança ainda seja um território majoritariamente masculino.

“Quando comecei, em 2016, era a única mulher no setor. Hoje vejo um crescimento real, principalmente em programação e análise de dados”, afirma.

Mestre em Engenharia Elétrica (UTFPR) e Doutora em Biotecnologia (Fiocruz), Hellen desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para otimizar processos industriais. “Cada mulher que ocupa um espaço vira referência para a próxima geração”.

Esse avanço, porém, convive com dilemas que seguem restritivos.

O relatório FOMO no Trabalho, da Acronis, mostra que 67% das mulheres acreditam precisar trabalhar mais horas para progredir, e 63% afirmam que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional afeta significativamente suas chances de crescimento.

As pressões se acentuam entre mães, como Marynea “Nina” Palloro, 32, formada em Sistemas de Informação pela UTFPR e engenheira de dados sênior.

Ela deixou o setor após dificuldades em conciliar a rotina corporativa com a maternidade. “As empresas avançaram em diversidade, mas ainda falham no acolhimento. Flexibilidade e apoio real à primeira infância fazem toda a diferença”, diz.

Hoje, Nina administra uma empresa de fotografia ao lado do marido, mas mantém a esperança de retornar à tecnologia. “O que me dá esperança é ver que há movimentos genuínos de mudança.”

A pesquisa da Acronis reforça o contraste entre percepção e realidade. Apenas 60% das mulheres acreditam que homens e mulheres têm acesso igual ao desenvolvimento profissional, índice bem menor que o dos homens (75%).

Já 41% das profissionais apontam o viés de gênero como principal barreira à liderança, enquanto 82% acreditam que a ampliação da presença feminina em cargos de chefia traria impacto positivo para a cultura organizacional.

Para Neide, o futuro da TI será mais equilibrado à medida que as empresas incorporarem práticas de inclusão não como política, mas como estratégia de resultado. “A diversidade não é um favor. É um ganho. Mulheres têm uma visão mais contextual e empática, o que melhora as decisões e as relações nas equipes”, afirma.

O movimento de transformação vem se fortalecendo em diferentes frentes.

Grupos de afinidade, como o Women Techmakers Curitiba e o Alumni Elas, da UTFPR, têm criado redes de apoio e mentoria. Universidades e empresas ampliam programas de capacitação voltados a meninas interessadas em ciência e computação, enquanto mais profissionais assumem o papel de mentoras e referências.

“Ainda há muito a fazer, mas já deixamos de ser exceção”, resume Hellen. “Hoje a tecnologia é um espaço que, pouco a pouco, está se tornando de todos — e de todas.”

O avanço das mulheres na tecnologia começa a mudar a estrutura de um setor que, por décadas, se manteve como um dos mais masculinos da economia.

A presença feminina cresce em ritmo superior à masculina e vem provocando transformações culturais dentro das empresas, ainda que os obstáculos, especialmente ligados à maternidade e à progressão na carreira, continuem evidentes.

Segundo a Brasscom, as mulheres já representam 38,9% dos empregos formais no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil.

Desde 2020, o crescimento anual é de 7,7%, superando em 1,5 ponto percentual o ritmo masculino. A mudança é percebida no cotidiano das profissionais, que ocupam cada vez mais funções técnicas e de liderança.

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“A trajetória da participação feminina na TI já está consolidada e é irreversível”, diz Neide Cabral, 60, especialista em Governança Global de Telecomunicações, que atuou 20 anos em grandes empresas de tecnologia. Ela iniciou a carreira há quatro décadas, quando era comum ser a única mulher em equipes inteiras. “Já ouvi que eu entregava mais, mas a promoção iria para ele porque era homem. Foram experiências duras, mas que me ensinaram a me posicionar e a buscar reconhecimento pelo resultado”. 

A trajetória de Neide reflete uma virada geracional. Entre profissionais mais jovens, como Hellen Cristina Ancelmo, 32, cientista de dados sênior na área de Pesquisa e Desenvolvimento da ST-One, a presença feminina se tornou mais visível, embora a liderança ainda seja um território majoritariamente masculino.

“Quando comecei, em 2016, era a única mulher no setor. Hoje vejo um crescimento real, principalmente em programação e análise de dados”, afirma. Mestre em Engenharia Elétrica (UTFPR) e Doutora em Biotecnologia (Fiocruz), Hellen desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para otimizar processos industriais. “Cada mulher que ocupa um espaço vira referência para a próxima geração”.

Esse avanço, porém, convive com dilemas que seguem restritivos. O relatório FOMO no Trabalho, da Acronis, mostra que 67% das mulheres acreditam precisar trabalhar mais horas para progredir, e 63% afirmam que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional afeta significativamente suas chances de crescimento.

As pressões se acentuam entre mães, como Marynea “Nina” Palloro, 32, formada em Sistemas de Informação pela UTFPR e engenheira de dados sênior.

Ela deixou o setor após dificuldades em conciliar a rotina corporativa com a maternidade. “As empresas avançaram em diversidade, mas ainda falham no acolhimento. Flexibilidade e apoio real à primeira infância fazem toda a diferença”, diz.

Hoje, Nina administra uma empresa de fotografia ao lado do marido, mas mantém a esperança de retornar à tecnologia. “O que me dá esperança é ver que há movimentos genuínos de mudança.”

A pesquisa da Acronis reforça o contraste entre percepção e realidade. Apenas 60% das mulheres acreditam que homens e mulheres têm acesso igual ao desenvolvimento profissional, índice bem menor que o dos homens (75%).

Já 41% das profissionais apontam o viés de gênero como principal barreira à liderança, enquanto 82% acreditam que a ampliação da presença feminina em cargos de chefia traria impacto positivo para a cultura organizacional.

Para Neide, o futuro da TI será mais equilibrado à medida que as empresas incorporarem práticas de inclusão não como política, mas como estratégia de resultado. “A diversidade não é um favor. É um ganho. Mulheres têm uma visão mais contextual e empática, o que melhora as decisões e as relações nas equipes”, afirma.

O movimento de transformação vem se fortalecendo em diferentes frentes. Grupos de afinidade, como o Women Techmakers Curitiba e o Alumni Elas, da UTFPR, têm criado redes de apoio e mentoria. Universidades e empresas ampliam programas de capacitação voltados a meninas interessadas em ciência e computação, enquanto mais profissionais assumem o papel de mentoras e referências.

“Ainda há muito a fazer, mas já deixamos de ser exceção”, resume Hellen. “Hoje a tecnologia é um espaço que, pouco a pouco, está se tornando de todos — e de todas.”

O avanço das mulheres na tecnologia começa a mudar a estrutura de um setor que, por décadas, se manteve como um dos mais masculinos da economia.

A presença feminina cresce em ritmo superior à masculina e vem provocando transformações culturais dentro das empresas, ainda que os obstáculos, especialmente ligados à maternidade e à progressão na carreira, continuem evidentes.

Segundo a Brasscom, as mulheres já representam 38,9% dos empregos formais no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) no Brasil. Desde 2020, o crescimento anual é de 7,7%, superando em 1,5 ponto percentual o ritmo masculino. A mudança é percebida no cotidiano das profissionais, que ocupam cada vez mais funções técnicas e de liderança.

“A trajetória da participação feminina na TI já está consolidada e é irreversível”, diz Neide Cabral, 60, especialista em Governança Global de Telecomunicações, que atuou 20 anos em grandes empresas de tecnologia. Ela iniciou a carreira há quatro décadas, quando era comum ser a única mulher em equipes inteiras.

“Já ouvi que eu entregava mais, mas a promoção iria para ele porque era homem. Foram experiências duras, mas que me ensinaram a me posicionar e a buscar reconhecimento pelo resultado”.

A trajetória de Neide reflete uma virada geracional. Entre profissionais mais jovens, como Hellen Cristina Ancelmo, 32, cientista de dados sênior na área de Pesquisa e Desenvolvimento da ST-One, a presença feminina se tornou mais visível, embora a liderança ainda seja um território majoritariamente masculino.

“Quando comecei, em 2016, era a única mulher no setor. Hoje vejo um crescimento real, principalmente em programação e análise de dados”, afirma. Mestre em Engenharia Elétrica (UTFPR) e Doutora em Biotecnologia (Fiocruz), Hellen desenvolve soluções baseadas em inteligência artificial para otimizar processos industriais. “Cada mulher que ocupa um espaço vira referência para a próxima geração”.

Esse avanço, porém, convive com dilemas que seguem restritivos. O relatório FOMO no Trabalho, da Acronis, mostra que 67% das mulheres acreditam precisar trabalhar mais horas para progredir, e 63% afirmam que o equilíbrio entre vida pessoal e profissional afeta significativamente suas chances de crescimento.

As pressões se acentuam entre mães, como Marynea “Nina” Palloro, 32, formada em Sistemas de Informação pela UTFPR e engenheira de dados sênior. Ela deixou o setor após dificuldades em conciliar a rotina corporativa com a maternidade. “As empresas avançaram em diversidade, mas ainda falham no acolhimento. Flexibilidade e apoio real à primeira infância fazem toda a diferença”, diz.

Hoje, Nina administra uma empresa de fotografia ao lado do marido, mas mantém a esperança de retornar à tecnologia. “O que me dá esperança é ver que há movimentos genuínos de mudança.”

A pesquisa da Acronis reforça o contraste entre percepção e realidade. Apenas 60% das mulheres acreditam que homens e mulheres têm acesso igual ao desenvolvimento profissional, índice bem menor que o dos homens (75%). Já 41% das profissionais apontam o viés de gênero como principal barreira à liderança, enquanto 82% acreditam que a ampliação da presença feminina em cargos de chefia traria impacto positivo para a cultura organizacional.

Para Neide, o futuro da TI será mais equilibrado à medida que as empresas incorporarem práticas de inclusão não como política, mas como estratégia de resultado. “A diversidade não é um favor. É um ganho. Mulheres têm uma visão mais contextual e empática, o que melhora as decisões e as relações nas equipes”, afirma.

O movimento de transformação vem se fortalecendo em diferentes frentes. Grupos de afinidade, como o Women Techmakers Curitiba e o Alumni Elas, da UTFPR, têm criado redes de apoio e mentoria. Universidades e empresas ampliam programas de capacitação voltados a meninas interessadas em ciência e computação, enquanto mais profissionais assumem o papel de mentoras e referências.

“Ainda há muito a fazer, mas já deixamos de ser exceção”, resume Hellen. “Hoje a tecnologia é um espaço que, pouco a pouco, está se tornando de todos — e de todas.”