João Matos terminou em terceiro na disputa para deputado federal no município, atrás de Julia Zanatta e Ana Paula Lima; resultado reflete o impacto da crise política envolvendo o grupo do prefeito Tiago Baltt
A votação para deputado federal em Balneário Piçarras deixou um sinal de atenção para o MDB local. Mesmo com a mobilização da estrutura política ligada ao partido, João Matos terminou apenas na terceira colocação no município, atrás da candidata do PL, Julia Zanatta, e da petista Ana Paula Lima.
Julia Zanatta recebeu 2.605 votos (15,90%), enquanto Ana Paula Lima alcançou 1.483 votos (9,05%). João Matos, do MDB, ficou com 1.158 votos (7,07%).
O resultado chama atenção principalmente porque o MDB chega à eleição de 2026 tendo como principal referência municipal o prefeito Tiago Baltt, que venceu a eleição de 2024 com 10.690 votos, ou 73,91% dos votos válidos, segundo os dados eleitorais.
De uma vitória expressiva a uma votação abaixo do PT
A diferença entre o desempenho de Baltt em 2024 e a votação obtida pelo candidato do MDB para deputado federal não significa, por si só, uma transferência automática de votos entre eleições. São disputas diferentes e com candidatos, cargos e circunstâncias políticas distintas.
Ainda assim, o resultado permite uma leitura política sobre a força atual do partido no município.
O dado mais simbólico é que o candidato do MDB ficou atrás de uma representante do PT, partido que tradicionalmente encontra maior resistência eleitoral em uma cidade onde candidatos e forças políticas de direita tiveram desempenho expressivo.
Além disso, o resultado presidencial em Piçarras mostra que a cidade manteve forte preferência por nomes ligados à direita. No primeiro turno, Flavio Bolsonaro liderou a votação presidencial no município com 70,26% dos votos válidos.
Nesse cenário, a votação de Ana Paula Lima acima de João Matos ganha peso político, especialmente porque o MDB contou com uma estrutura municipal estabelecida.
Os episódios envolvendo Tiago Baltt podem ter pesado?
Uma das perguntas que o resultado deixa para o MDB é se a crise envolvendo o prefeito Tiago Baltt atingiu a imagem política do grupo.
Em maio deste ano, Baltt, então prefeito de Balneário Piçarras e filiado ao MDB, foi preso preventivamente durante uma operação do Ministério Público de Santa Catarina que investigava suspeitas de organização criminosa, corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro.
Posteriormente, o MPSC apresentou denúncia contra Baltt e outras pessoas investigadas no caso.
Segundo a denúncia divulgada à época, o Ministério Público atribuiu ao prefeito papel de liderança política e decisória dentro da organização investigada.
As acusações, porém, ainda precisam ser tratadas como alegações no âmbito do processo, sem antecipação de culpa ou condenação.
O episódio ganhou dimensão nacional e colocou o município no centro do noticiário policial e político.
Um recado para o MDB?
O resultado das urnas representa uma perda definitiva de espaço do MDB, e cria um dado político difícil de ignorar: a estrutura municipal do partido não foi suficiente para colocar seu candidato à frente do nome do PT na votação para deputado federal.
A eleição também mostra que o eleitor de Balneário Piçarras não necessariamente reproduziu, na disputa proporcional, a força demonstrada pelo MDB na eleição municipal de 2024.
Com 1.158 votos, João Matos ficou 325 votos atrás de Ana Paula Lima e 1.447 votos distante de Julia Zanatta.
Para o MDB, o resultado abre uma discussão sobre quanto da força eleitoral construída nas eleições municipais permanece preservada e quanto foi afetado pelo cenário político de 2026.
Mais do que uma simples disputa entre três candidatos, a votação pode ser lida como um termômetro da atual relação entre o eleitorado de Balneário Piçarras e as forças políticas que comandam ou influenciam o município.
E, nesse termômetro, o resultado do MDB ficou abaixo do que a dimensão de sua estrutura política municipal poderia sugerir.






