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Show gospel em Piçarras com dinheiro público levanta questionamentos sobre promoção política da primeira-dama Andressa Pêra

Reprodução/redesocial

A realização de um show gospel pago com recursos públicos durante as comemorações do aniversário de Balneário Piçarras tem provocado questionamentos sobre os limites entre fé, gestão pública e promoção pessoal.

O evento, intitulado “Piçarras Pra Jesus”, contou com apresentação nacional da cantora gospel Eliane Fernandes e foi amplamente divulgado nas redes sociais em uma postagem da primeira-dama do município, Andressa Pêra, que também é pré-candidata a deputada estadual pelo MDB.

Em publicação recente, a primeira-dama celebrou a “presença de Deus” no evento, classificando a noite como “inesquecível e inexplicável”, além de convidar a população para as demais atrações da programação festiva, todas com entrada gratuita no Centreventos.

A mensagem, marcada por forte conteúdo religioso, levanta dúvidas sobre uma figura pública em posição institucional e pré-candidata utilizando-se do espaço para se projetar politicamente.

Estado Laico

A Constituição Federal estabelece, no artigo 19, que o Estado brasileiro é laico, vedando à administração pública estabelecer cultos religiosos ou manter relações de dependência ou aliança com igrejas.

Embora eventos religiosos financiados pelo poder público não sejam automaticamente ilegais — especialmente quando inseridos em contextos culturais ou turísticos mais amplos — especialistas em direito público alertam que o favorecimento explícito de uma crença específica pode ferir o princípio da neutralidade religiosa do Estado.

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Promoção pessoal

Outro ponto sensível é a atuação da primeira-dama. Embora não seja agente eletivo, sua proximidade com o poder executivo municipal e a condição de pré-candidata infringe  a legislação eleitoral que veda a promoção pessoal de pré-candidatos por meio de ações custeadas com recursos públicos, ainda que de forma indireta ou simbólica.

A exaltação pública do evento, associada à sua imagem e à linguagem de fé, pode ser interpretada como estratégia de construção de capital político junto a um eleitorado evangélico.