Levantamento feito pela reportagem do Oiscnotícias mostra que em quatro anos de gestão a família Cunha receberia R$ 2.184.000,00 milhões de salário, dinheiro suficiente para construir uma escola de pequeno porte (com até oito salas de aula), um posto de saúde com consultório sala de vacinação e atendimento primário, além de fazer reformas em escolas e unidades de saúde já existentes
Informações reunidas a partir de dados do Portal da Transparência sobre vínculos de servidores públicos de Balneário Piçarras e remunerações indicam que familiares do vereador do MDB, Matheuzinho da Cunha recebem, em conjunto, cerca de R$ 40 mil por mês.
Esses salários e benefícios são pagos direta ou indiretamente com recursos públicos no município e em entidades relacionadas.
Além da prefeitura, a esposa do vereador, Heloysy Cristyne da Maia, recebe da Assembleia Legislativa de Santa Catarina R$ 3.031,76 como assessora de gabinete do deputado estadual, Ivan Naatz.
Os valores são referentes a cargos ocupados por parentes próximos (E bem próximos) do parlamentar, distribuídos entre a administração municipal, contratos terceirizados e benefícios vinculados ao setor público ou deputados aliados ao governo. A soma chama atenção pelo volume mensal concentrado no núcleo da família Cunha em Balneário Piçarras.
Distribuição dos salários
- Matheuzinho da Cunha (vereador) – R$ 7.300,00
- Heloysy Cristyne da Maia (esposa) – R$ 3.031, 76
- Cláudia, sogra do vereador – diretora do cemitério municipal – R$ 4.800,00
- Mauro Insensi, tio do vereador – vinculado ao Ministério/INSS – R$ 3.230,00
- Maurino – funcionário de empresa terceirizada de serviços sanitários – R$ 6.340,00
- Zari Isensee, esposa de Maurino – R$ 7.067,03
- Kamilla Mayara Isensee, irmã do vereador – R$ 6.453,00
- Maria Antônia Isensee – bolsa de estágio – R$ 850,00
Projeção em quatro anos
Considerando o valor mensal estimado, a projeção ao longo de um mandato de quatro anos (48 meses) eleva o montante para aproximadamente R$ 2.184.000,00 pagos em salários e benefícios públicos à família Cunha. A estimativa inclui pagamento de décimo terceiro salário e férias.
O que seria possível construir com esse valor
Especialistas em gestão pública costumam utilizar comparações pedagógicas para facilitar a compreensão do impacto dos gastos. Com R$ 2,18 milhões, seria possível, por exemplo:
- Construir uma escola municipal de pequeno porte, com cerca de 6 a 8 salas de aula, dependendo do padrão construtivo adotado;
- Implantar um posto de saúde (UBS) básico, com consultórios, sala de vacinação e atendimento primário;
- Reformar e ampliar unidades escolares ou de saúde existentes, melhorando estruturas, acessibilidade e equipamentos;
- Investir em programas permanentes de educação infantil ou atenção básica, beneficiando centenas de famílias ao longo dos anos.
Essas comparações não implicam ilegalidade ou desvio, mas ajudam a sociedade a refletir sobre prioridades orçamentárias e o destino dos recursos públicos.
O mau exemplo do candidato à sucessão de Tiago Baltt
O levantamento ganha ainda mais relevância no atual contexto político do município. Matheuzinho da Cunha tem sido apontado como um dos nomes fortes e preferidos dentro do partido comandado pela primeira dama Andressa Pêra para disputar a sucessão do prefeito Tiago Baltt.
Mas já imaginaram como seria a administração da cidade na mãe da família Cunha? O que será que a população pensa sobre a composição de rendas e vínculos familiares com a máquina pública, sobretudo em período pré-eleitoral? E o nepotismo, alguém sabe dizer se a lei que proíbe a contratação de parentes ainda existe?
Transparência e interesse público
A presença de familiares de agentes políticos em cargos públicos ou contratos vinculados ao poder público não é, por si só, ilegal, desde que observados os critérios legais de contratação e os princípios da administração pública.
Ainda assim, casos como este reforçam a importância da transparência, da fiscalização social e do acompanhamento pelos órgãos de controle.






