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Conasa ‘caga na cabeça’ do povo em Itapema e deixa Meia Praia totalmente imprópria para banho

Reprodução/JornalRazão

O cheiro chega antes da água. Quem caminha pela areia percebe. Quem mora na orla reclama. Quem trabalha durante a temporada tenta explicar ao turista. Em Meia Praia, em Itapema, o verão voltou a ser marcado por um problema impossível de ignorar. Desta vez, não se trata de percepção ou exagero.

De acordo com relatório divulgado no início de janeiro pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), todos os pontos de balneabilidade monitorados na Meia Praia foram classificados como impróprios para banho. Na prática, isso significa que 100% da extensão analisada da praia está contaminada, sem qualquer exceção.

Os trechos considerados impróprios concentram-se nas proximidades das ruas 319, 261, 227 e 205, abrangendo praticamente toda a faixa urbana da Meia Praia.

O mesmo relatório também aponta ponto impróprio no Canto da Praia. Os testes técnicos ao longo da orla apenas confirmam o que o olfato já denuncia.

Moradores relatam forte odor de esgoto, água escura escorrendo pelas galerias pluviais e uma sensação constante de abandono. Nas redes sociais, a indignação é direta. “Está tudo contaminado”, dizem banhistas. Comerciantes afirmam que turistas questionam se é seguro entrar no mar — e muitos acabam desistindo. Outros se arriscam, mesmo sabendo do desfecho frequente: atendimento hospitalar para tratar viroses.

No centro das críticas está a concessionária Conasa, responsável pelo sistema de água e esgoto do município.

A empresa mantém obras abertas em diversos pontos da cidade, corta o asfalto — gerando transtornos adicionais — e promete soluções estruturais.

Enquanto isso, segundo relatos recorrentes, o esgoto continua encontrando caminho até o mar, seja por ligações irregulares, falhas na rede ou extravasamentos, situações já admitidas pela própria concessionária em episódios anteriores.

A cena se repete: rua aberta, canos expostos, remendos mal feitos no asfalto. Pouco tempo depois, surgem água turva, espuma, mau cheiro e novas interdições para banho. Para quem vive em Itapema, a conta não fecha. A tarifa de água aumentou, mas a qualidade ambiental despencou.

“Pagamos mais caro para não poder entrar no mar”, resume um morador ouvido pela reportagem. A crítica vai além da questão ambiental. É também econômica, turística e social. A Meia Praia é cartão-postal, motor do mercado imobiliário e base do comércio local. Praia imprópria afasta turistas. Turista ausente reduz faturamento. O prejuízo não aparece no boleto da concessionária, mas no caixa de quem depende da cidade funcionando.

A prefeitura afirma que fiscaliza, notifica e cobra providências.

A Conasa, em comunicados oficiais, sustenta que as obras são necessárias para resolver problemas históricos do saneamento. No meio do discurso técnico, quem pisa na areia continua convivendo com o mesmo cenário.

A história da Meia Praia neste verão não é apenas sobre esgoto. É sobre confiança quebrada.

O morador não quer explicações complexas nem gráficos técnicos. Quer abrir a janela, sentir cheiro de mar, entrar na água e sair sem medo.

Enquanto isso não acontece, a realidade é dura e oficial: com laudo ambiental apontando 100% de impropriedade, toda a Meia Praia paga o preço. (Com informações Jornal Razão)