Sessão da 4ª Câmara Criminal analisa ação penal que apura suposto esquema de corrupção envolvendo a construção da ponte sobre o Rio Itajuba; todos os denunciados negam as acusações
A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) confirmou para esta quinta-feira (30), às 14h, o julgamento da ação penal da Operação Travessia, investigação que apura um suposto esquema de corrupção relacionado à construção da ponte sobre o Rio Itajuba, em Barra Velha.
Entre os oito réus está o ex-prefeito de Barra Velha, Douglas da Costa (PL), além dos ex-secretários municipais Mauro da Silva e Elvis Füchter, do ex-diretor de patrimônio Osmar Firmo, do engenheiro Osni Paulo Testoni e dos empresários Karlos Gabriel Lemos, Celso Moreira Sobrinho e Adevanete Pereira dos Santos. Todos respondem ao processo e alegam inocência.
A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) após investigação conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o órgão, os investigados são acusados de integrar uma organização criminosa voltada à prática de supostas fraudes em licitações, lavagem de dinheiro, peculato, crimes de responsabilidade e uso irregular de máquinas e serviços públicos.
As investigações têm como principal foco a execução das obras da ponte sobre o Rio Itajuba, considerada uma das principais intervenções realizadas durante a gestão de Douglas da Costa.
Réus já haviam se tornado alvo de ação penal
Na fase inicial do processo, a 4ª Câmara Criminal recebeu a denúncia do Ministério Público, tornando os oito investigados réus na ação penal. Na ocasião, o colegiado concedeu liberdade ao engenheiro Osni Paulo Testoni, mas manteve as prisões preventivas do ex-prefeito, dos ex-secretários, do ex-diretor de patrimônio e dos empresários denunciados.
Douglas da Costa foi preso em 24 de janeiro de 2024, durante a primeira fase da Operação Travessia, sendo encaminhado ao Complexo Prisional da Canhanduba, em Itajaí.
Em 24 de outubro de 2024, o Tribunal de Justiça concedeu liberdade ao ex-prefeito, substituindo a prisão preventiva por medidas cautelares. Ele foi o último dos investigados a deixar a prisão, exatamente nove meses após o início da operação.
Defesa nega irregularidades
Em manifestação anterior, Douglas da Costa afirmou que sua defesa demonstra a legalidade de sua atuação na obra da ponte sobre o Rio Itajuba.
“Minha defesa está muito bem feita. Explica e esclarece os fatos sobre a obra da ponte, projetada para resolver um grande problema da nossa população”, declarou.
O ex-prefeito também negou qualquer participação em esquema de corrupção.
“O que fiz foi querer resolver problemas técnicos e de engenharia, e adequação do projeto depois da obra já em andamento”, afirmou.
O julgamento desta quinta-feira poderá representar um novo capítulo em um dos processos de maior repercussão política e judicial da história recente de Barra Velha.
A decisão da 4ª Câmara Criminal será acompanhada de perto pelo Ministério Público, pelas defesas dos acusados e pela população do município.






