Apesar da soltura, a moleza não é total. O ministro substituiu a cadeia por “medidas cautelares”. A principal delas? O prefeito continua proibido de pisar na Prefeitura e segue afastado das funções
A mamata mudou de endereço – ou quase isso. O prefeito afastado de Balneário Piçarras, Tiago Maciel Baltt (MDB), que passou as últimas seis semanas vendo o sol nascer quadrado, ganhou o bilhete de saída do Complexo Penitenciário da Canhanduba em Itajaí. Graças a uma canetada salvadora vinda direto de Brasília, o político colocou os pés na rua nesta quarta-feira (1°).
Baltt estava trancafiado desde o dia 19 de maio, quando virou o alvo principal da Operação Regalo (que significa “presente”, um nome bem sugestivo para quem é investigado por fazer a festa com o dinheiro do povo).
A ação do GAECO e do GEAC botou o prefeito atrás das grades sob acusações pesadas: corrupção, fraude em licitações, organização criminosa e lavagem de dinheiro em contratos públicos.
Mas a temporada no xilindró durou exatamente 42 dias. O ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), aceitou um pedido da defesa e achou que, por enquanto, não tem motivo para deixar o homem trancado.
Fora do cargo, mas longe da cela
Apesar da soltura, a moleza não é total. O ministro substituiu a cadeia por “medidas cautelares”. A principal delas? O prefeito continua proibido de pisar na Prefeitura e segue afastado das funções. Ou seja: está solto, mas o bolso e a caneta perderam o poder temporariamente.
No entendimento preliminar do magistrado, não havia “elementos concretos” para manter o prefeito preso antes do julgamento final.
A defesa do prefeito, comandada pela advogada Samantha de Andrade, soltou aquela nota padrão cheia de “serenidade”, dizendo que a decisão é justa e que vai provar que tudo não passa de uma “inconsistência” das acusações.
Enquanto isso, o Ministério Público de Santa Catarina continua de olho no rastro do dinheiro.
A investigação sobre o esquema de desvio nos contratos públicos segue correndo e, enquanto o mérito da questão não é julgado, a população de Piçarras assiste a mais um capítulo da novela dos políticos que entram na cadeia pela porta da frente e saem pela dos fundos.






