Marcos de Oliveira
Pelo visto, a solução encontrada pela Prefeitura de Balneário Piçarras para enfrentar mais uma crise administrativa foi simples: entregar mais uma secretaria para quem já está ocupada com outras funções.
A escolhida da vez e a tipo exportação de Jaraguá do Sul, Manu Wolff, ex-mulher do presidente do MDB, Carlos Chiodinni, que assumiu interinamente a Secretaria de Obras, uma das áreas mais importantes e complexas da administração municipal.
A decisão chama atenção não apenas pelo momento delicado vivido pelo município após a prisão do prefeito Tiago Baltt, mas também pela proximidade da secretária com o grupo político, o prefeito preso TIAGO e a primeira dama desaparecida ANDRESSA PÊRA, que comandou a Prefeitura até aqui.
Em vez de buscar um nome técnico, com experiência em infraestrutura e gestão de obras e que entenda a cidade, a importância da praia, a administração parece ter preferido manter tudo “em casa”.
A aposta é ousada. Afinal, acompanhar pavimentações, fiscalizar contratos, coordenar equipes, resolver problemas estruturais e garantir que as obras avancem exige tempo, dedicação e o mais importante conhecimento da cidade e suas prioridades.
Mas, aparentemente, o prefeito Fabiano Alves acredita ter encontrado uma espécie de “supersecretária”, capaz de acumular responsabilidades sem que nada seja prejudicado pelo caminho.
Enquanto isso, a população observa com desconfiança. Quem acompanhará de perto o andamento das obras? Quem garantirá que os cronogramas sejam cumpridos? Quem terá condições de dar atenção integral a uma pasta que já enfrenta desafios diariamente? Não temos gestor competente em nossa cidade para desenvolver esse papel? São perguntas que, até o momento, seguem sem respostas claras.
A escolha também reforça uma impressão que ganha força nos bastidores: diante da turbulência política, a prioridade parece ser manter pessoas de confiança nos cargos estratégicos do prefeito preso TIAGO e da super primeira dama ANDRESSA, ainda que isso signifique ignorar critérios técnicos e a necessidade de oxigenar a gestão.
No fim das contas, quem paga a conta dessa experiência administrativa são os moradores. Afinal, ruas não são pavimentadas com boa vontade, obras não avançam com improviso e problemas de infraestrutura não se resolvem por decreto.
Resta agora torcer para que o acúmulo de funções não transforme a Secretaria de Obras em mais um canteiro de incertezas dentro da gestão.
Marcos de Oliveira é jornalista MTb 5121 SC






