Movimento evidencia um MDB que reage àquilo que “sobrou”, buscando sobreviver num cenário em que a sigla já não é mais prioridade para o governador e liderado por Chiodini, que depois de ter sido derrotado na eleição de Itajaí, correu para o “colo do governo”
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) de Santa Catarina anunciou oficialmente sua saída da base do governador Jorginho Mello (PL) e confirmou que terá candidato próprio ao Governo do Estado em 2026.
A decisão, tomada em reunião do diretório estadual, escancara o desgaste da aliança com o atual governo e marca uma tentativa do partido de recuperar protagonismo após ser deixado de lado na principal composição política do Estado.
Nos bastidores, a ruptura é vista menos como um gesto de independência programática e mais como o resultado direto de uma derrota política.
O MDB perdeu a preferência histórica de estar ao lado do governador quando Jorginho optou por se aproximar do Partido Novo, escolhendo o prefeito de Joinville, Adriano Silva, como aliado estratégico para o próximo ciclo eleitoral. Restou ao MDB fazer o que sobrou: romper e anunciar um projeto próprio.
À frente desse movimento está o deputado federal e presidente estadual do partido, Carlos Chiodini, que passou a vocalizar a necessidade de candidatura própria justamente após ver o MDB descartado da equação principal do governo estadual.
Derrotado em Itajaí e acolhido pelo governador Jorginho
A guinada política ocorre pouco tempo depois de Chiodini experimentar uma derrota significativa nas urnas.
Nas eleições municipais de 2024, chiodini disputou a Prefeitura de Itajaí e obteve 18.828 votos, desempenho que o colocou apenas na terceira colocação, atrás do prefeito eleito Robinson e do ex-vereador Osmar Teixeira, que ficou em segundo lugar
O resultado frustrou as expectativas do MDB local e expôs as limitações eleitorais do deputado fora do ambiente partidário estadual.
Derrotado nas urnas, Chiodini não demorou a procurar abrigo político. Poucos meses depois, aceitou um cargo no primeiro escalão do governo estadual, assumindo a Secretaria de Agricultura e Pecuária.
A nomeação foi interpretada por adversários e até por aliados como uma clássica tentativa de garantir uma “boquinha” no governo após o fracasso eleitoral, mantendo visibilidade, estrutura e influência — ainda que sem o respaldo direto do voto popular.
O arranjo, no entanto, mostrou-se temporário. Com o MDB sendo deixado de lado por Jorginho na formação do projeto político para 2026, Chiodini anunciou a saída do secretariado e o retorno ao mandato de deputado federal, agora em posição declaradamente oposicionista.
Um projeto que nasce da exclusão
O anúncio de candidatura própria do MDB não nasce de um plano construído com antecedência, mas de uma exclusão política clara.
Após perder espaço para o Partido Novo e ver sua relevância reduzida dentro do governo, o partido opta por romper, tentando reconstruir uma identidade que ficou diluída ao longo da atual gestão.
Embora o discurso oficial fale em “independência” e “projeto alinhado à sociedade catarinense”, o movimento evidencia um MDB que reage às circunstâncias, buscando sobreviver num cenário em que já não é mais prioridade para o governador nem protagonista natural do centro político estadual.
A disputa de 2026, portanto, começa com um MDB tentando se reinventar, liderado por um dirigente que vem de derrota municipal, passagem breve pelo governo e agora aposta tudo numa candidatura própria — não por escolha estratégica inicial, mas porque ficar ao lado de Jorginho deixou de ser uma opção.


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