Ex-diretor administrativo acumulava salário de cerca de R$ 12 mil e mantinha esquema para empregar esposa e assessores dentro de consórcios
Mais de 30 anos depois de estar ocupando o cargo de diretor administrativo da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí Açu (AMFRI), Célio José Bernardino, foi exonerado do cargo.
A votação pela saída dele foi uma decisão unânime dos dez prefeitos que participaram da Assembleia Extraordinária da AMFRI convocada pelo atual presidente da entidade, o prefeito de Penha Aquiles José da Costa (MDB) nesta segunda-feira (21).
“Quero deixar claro que a saída do Célio foi uma vontade do grupo, não uma atitude isolada”, analisou Aquiles, completando que o objetivo da medida é “enxugar” o custo da máquina administrativa e garantir mais recursos para investir nos 11 municípios da região, principalmente, na área de saúde e engenharia.
Se somar os consórcios, a AMFRI tem uma folha salarial com aproximadamente 40 servidores diretos, que pode chegar a 70 com os cargos indiretos remunerados pelos suntuosos e até mesmo desnecessários contratos de prestação de serviço.
Um dos contratos no valor de R$ 200 mil foi pago a uma empresa de jardinagem. O relatório justifica o pagamento pelo serviço de roçagem em Penha e Balneário Piçarras. O detalhe é que, segundo os prefeitos, a roçagem foi realizada pelos dois municípios.
Célio José Bernardino tinha um dos salários mais gordos da AMFRI, acima de R$ 12 mil mensais. A esposa dele ajudava na renda familiar ganhando mais R$ 11 mil. Outros assessores ligados a Célio ainda ocupam cargos de direção nos conselhos junto com suas esposas.
REPASSES MILIONÁRIOS A AMFRI
Só em 2021, o total de contribuição dos 11 municípios da AMFRI ultrapassou os R$ 6 milhões. Penha repassou R$ 405.065,48 e Balneário Piçarras R$ 300 mil. Já o município de Navegantes repassou R$ 703.528,04.
“Penso em diminuir esses consórcios de áreas específicas como saúde e turismo, por exemplo. São muitas câmaras técnicas que podem ser unificadas. Cada consórcio precisa de um servidor. É outro CNPJ, outra estrutura desnecessária. Tem muita gente acumulando salário, isso precisa ser corrigido”, ressaltou Aquiles.
Com a redução de despesas, o presidente da AMFRI defende a contratação de mais engenheiros para otimizar os projetos de infraestrutura, hoje um grande gargalo dos prefeitos. “Com o Plano 1000 do governador Moisés, por exemplo, sobram recursos e falta assessoria técnica para os municípios executarem as obras e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, diz.
Na saúde é possível fazer a compra de medicamentos pela AMFRI, uma licitação intermunicipal reduziria e muito o custo para os municípios. “Quanto maior o poder de compra menor o preço do produto. Temos as redes atacadistas mostrando isso”, observa Aquiles.
Em contato com a Assessoria de Imprensa da AMFRI fomos informados que uma nota oficial sobre a exoneração do ex-diretor administrativo será divulgada na manhã desta terça-feira (22).
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