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6 ANOS DE MISTÉRIO E DOR: Quem matou o candidato a vereador e blogueiro de Penha, Alexandre de Aviz?

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“Aí, eu te avisei”: a frase dita pelo assassino que esfaqueou e atirou contra Alexandre de Aviz ficou marcada para todos e virou sinônimo de impunidade

O silêncio da madrugada daquela noite de 24 de maio de 2020 jamais saiu da memória dos moradores de Penha. O assassinato brutal de Alexandre de Aviz, figura conhecida na cidade e pré-candidato a vereador na época e blogueiro ferrenho de oposição ao governo, completa seis anos envolto em mistério, revolta e um sentimento que permanece vivo até hoje: a impunidade.

Alexandre era conhecido por seus vídeos polêmicos, denúncias e posicionamentos firmes nas redes sociais. Gostassem ou não de suas opiniões, praticamente todos em Penha já tinham ouvido falar dele. Mas o que ninguém imaginava era que sua trajetória terminaria de forma tão violenta e assustadora, bem em frente à própria casa.

Naquela noite, Alexandre havia acabado de chegar na sua residência acompanhado pela esposa, na Rua Tiradentes, no Centro da cidade, quando foi chamado no portão. Segundos depois, o cenário virou tragédia. Ele foi atacado com golpes de faca e ainda recebeu um disparo à queima-roupa. O crime chocou moradores pela crueldade e pela ousadia dos assassinos. Aviz deixou a esposa, uma filha de 15 anos e um menino de sete anos à época.

A notícia se espalhou rapidamente e tomou conta das rodas de conversa, grupos de WhatsApp e redes sociais. O medo também tomou conta da cidade. Afinal, quem teria interesse em silenciar Alexandre de forma tão brutal?

As investigações avançaram nos meses seguintes, com análise de mensagens, vídeos e conteúdos encontrados no celular da vítima. A Polícia Civil chegou a afirmar que trabalhava com diversas linhas de investigação, inclusive analisando possíveis ameaças recebidas por Alexandre antes do crime.

Mas o tempo passou. Os anos correram. E as respostas nunca chegaram.

Seis anos depois, o caso continua sem solução definitiva. Nenhum desfecho capaz de aliviar a dor da família ou apagar a sensação de que um dos crimes mais repercutidos de Penha permanece cercado de perguntas sem respostas.

Para familiares e amigos, a ferida segue aberta.

A cada aniversário da morte, a lembrança da cena brutal revive a dor de quem ainda espera por justiça. Nas redes sociais, moradores continuam cobrando respostas e relembrando o caso que marcou a cidade.

Enquanto isso, a pergunta continua ecoando em Penha: Quem matou Alexandre de Aviz?

Das denúncias contra políticos nas redes sociais ao medo da família dentro de casa

Muito antes do crime, Alexandre de Aviz já vinha se tornando uma figura conhecida e controversa nas redes sociais.

Os vídeos gravados por ele denunciando problemas da cidade começaram após a falta de medicamentos destinados a crianças autistas na rede pública de saúde.

Alexandre era pai de um menino autista de apenas sete anos, e, segundo amigos próximos, foi justamente a revolta com a situação enfrentada pelo filho que despertou nele o desejo de expor problemas da administração pública.

“Esse foi o gatilho para ele começar a fazer os vídeos”, revelou um amigo na época.

Com o crescimento da repercussão, também vieram as ameaças. Pessoas próximas afirmam que Alexandre recebia constantes intimidações por causa das denúncias publicadas nas redes sociais.

A própria esposa contou que tinha medo da exposição e pedia para que ele não mostrasse detalhes da família nem da residência nos vídeos.

“Eu tinha muito medo do que poderia acontecer”, relatou a viúva

Após o assassinato, uma nova polêmica aumentou ainda mais a revolta de familiares e amigos. A divulgação, por parte da Polícia Militar, de informações sobre antigos registros envolvendo Alexandre gerou indignação entre pessoas próximas.

“Falaram como se tivesse morrido um bandido”, desabafou um amigo.

A esposa de Alexandre afirmou que os registros citados eram relacionados apenas a conflitos do relacionamento entre o casal e negou qualquer envolvimento dele com atividades criminosas.

Segundo ela, Alexandre era extremamente ciumento e possessivo, mas os dois estavam vivendo uma fase de reconciliação e união.

“Ele não sabia lidar com os sentimentos dele, mas nós estávamos lutando juntos”, declarou.

O relato dela sobre a noite do assassinato também trouxe detalhes ainda mais chocantes sobre o crime. Diferente das primeiras informações divulgadas, o assassino não teria chegado depois, mas já estaria escondido próximo da residência aguardando Alexandre chegar.

Antes dos disparos e do ataque brutal, o criminoso ainda teria dito uma frase que até hoje arrepia quem acompanha o caso: “Aí… eu te avisei.”

A esposa contou que precisou se jogar para o lado para escapar de possíveis tiros. Segundo ela, tudo aconteceu em segundos. Rápido. Violento. E impossível de esquecer.